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Perguntas · Um, Nenhum e Cem Mil

Por que Vitangelo Moscarda manda despejar Marco di Dio e depois lhe dá uma casa?

Moscarda faz isso para provar a tese do livro: quer mostrar, num ato só, que pode não ser, também para os outros, o usurário que eles veem nele. O despejo e a doação são o primeiro experimento, e o resultado é o contrário do esperado.

Marco di Dio é um antigo aprendiz de escultor, condenado por um ato de um instante, que vive de projetos de enriquecimento e do ódio ao pai de Moscarda, a quem chama de usurário com mais furor que ninguém. Mora de graça numa casinhola de Moscarda, e é essa casinhola que dá ao narrador o meio de tentar a prova. Ele entende que, ao agir contra si mesmo, ia pregar um mau truque ao usurário que os outros veem.

No banco, Moscarda briga com Firbo, ajoelha-se no chão, ordena o despejo de Marco e rouba de si mesmo os papéis da casa. Assiste a ele debaixo de chuva, protegido por um delegado, ouvindo «usurário!» da multidão. Quando o rapaz do cartório anuncia a doação de uma casa, Moscarda espera a transfiguração, e o que vem são assobios e injúrias, porque ninguém entende que a doação é dele depois da crueldade do despejo.

O efeito é a troca de rótulo. Quando Marco di Dio o encontra no corredor da casa nova, salta sobre ele gritando «louco!», o mesmo grito da multidão. O usurário podia enlouquecer, mas não se destruir de um golpe. O livro diz isso com todas as letras: ele quisera demonstrar que podia, também para os outros, não ser aquilo que se acreditava que fosse.

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