O livro não dá um motivo único. Anna Rosa, amiga de Dida, atira em Moscarda no quarto dela, e a razão que ela mesma jura ao juiz é que não houve agressão nenhuma, só o fascínio que as considerações dele sobre a vida exerceram sobre ela, a ponto de levá-la àquela loucura. Moscarda acha verdadeira também a outra razão que ela deu em sua defesa: o horror instintivo e súbito do ato a que se sentia arrastada por esse fascínio.
Anna Rosa o chamara à Abadia para que ele falasse com o bispo antes que o interditassem, e no corredor o revólver dela, uma lembrança do pai, dispara por acidente e fere o pé dela. Ela já tivera a tentação de experimentá-lo contra si mesma. Quando Moscarda, em dias de convalescença dela, explica que se conhecer é morrer, que ela passa tanto tempo diante do espelho porque não vive e que não se pode viver diante de um espelho, ela o ouve com atração e com repugnância.
No fim, ela estende os braços; ele cai da cama, ferido no peito pelo pequeno revólver que ela guardava sob o travesseiro. O texto permite ler o horror como horror do próprio gesto ou da vida que ele lhe oferecia para ser «um», e o romance não escolhe.
O que se sabe é que Moscarda a defende: diz ao juiz que o ferimento foi acidental e declara que a culpa não foi dela, foi dele, do último experimento a que se deixou levar. Anna Rosa é absolvida.