Não. A morte de Aquiles não é contada na Ilíada, mas é anunciada várias vezes, e ele sabe que está perto. No Canto I, a mãe, Tétis, lhe diz: "a tua parte de vida é breve, nada longa". No Canto XVIII, depois da morte de Pátroclo, ela repete que logo depois de Heitor o fim dele estará pronto, e Aquiles responde: "que eu morra já", e decide vingar o amigo assim mesmo.
No Canto XIX, o cavalo Xanto, a quem Hera deu voz, avisa que "perto de ti está o dia da ruína" e que a culpa não será dele, e sim de "um grande deus e a forte Moira". Aquiles responde: "eu mesmo bem o sei: meu destino é perecer aqui, longe do pai querido e da mãe; mas, ainda assim, não pararei antes de levar os troianos a se fartarem de guerra". No Canto XXI, ao matar o troiano Licáone, fala da própria morte: "haverá uma aurora, ou uma tarde, ou um meio-dia". No mesmo canto, preso na correnteza do rio, diz que a mãe o enganou ao prometer que ele morreria sob o muro pelas flechas de Apolo, e que preferia ter sido morto por Heitor.
A profecia mais precisa vem de Heitor, que morre no Canto XXII avisando que Páris e Apolo destruirão Aquiles junto às Portas Ceias. Aquiles responde: "morre; quanto à minha Quere, eu a receberei quando Zeus e os outros deuses imortais quiserem realizá-la".
O poema deixa a morte fora da cena. Aquiles aparece o tempo todo diante dela e, mesmo assim, escolhe a glória em vez da volta, como o Canto IX já mostrara. Os leitores discutem se a escolha é livre ou se ele só confirma o que o destino já fixou. O texto diz as duas coisas.