Aquiles é o maior guerreiro dos gregos diante de Troia e o herói da Ilíada: filho de Peleu e da deusa do mar Tétis. O poema se abre com o nome da paixão que o define, antes até do nome dele: "canta, deusa, a ira de Aquiles, filho de Peleu, a ira funesta que impôs aos aqueus dores sem conta".
No Canto I, o rei Agamêmnon, chefe de todo o exército grego, toma de Aquiles a cativa Briseida, que era o prêmio dele, e Aquiles puxa a espada para matá-lo; só a deusa Atena o segura pelos cabelos. Aquiles obedece à deusa, mas se retira da guerra e pede à mãe que obtenha de Zeus a vitória dos troianos, até que os gregos, encurralados junto aos navios, sintam a falta dele. Sabe que vive pouco: "mãe, já que me deste à luz para viver pouco, ao menos honra o Olímpio me devia pôr nas mãos".
A mãe lhe contou que há dois destinos: se ficar e lutar em Troia, perde a volta para casa, mas a sua glória será imperecível; se voltar, vive muito e perde a glória. Só a morte do amigo Pátroclo, morto por Heitor, o faz voltar ao combate, e a ira passa a ter outro alvo: ele mata Heitor, arrasta o corpo atrás do carro e, no fim, devolve o cadáver ao pai dele, o rei Príamo, e chora com ele.
O texto sustenta duas leituras de Aquiles. Numa, ele é o homem que quer honra e a vê tomada, e a recusa e a vingança são questões de reputação. Na outra, é o homem que enxerga a própria morte e a dos outros: diz a um troiano que suplica "morre também tu" e lembra que Pátroclo, "muito melhor", também morreu.