O escudo de Aquiles é feito pelo deus ferreiro Hefesto no Canto XVIII, a pedido da mãe de Aquiles, Tétis, porque Heitor tomou as armas antigas dele ao matar Pátroclo. Hefesto grava nele um mundo inteiro. Primeiro vêm a terra, o céu e o mar, "o sol incansável e a lua cheia" e os astros. Na borda mais externa, "a grande força do rio Oceano".
No meio, duas cidades. Numa há bodas e banquetes, noivas conduzidas à luz de tochas e, na praça, uma disputa sobre o pagamento pela morte de um homem, em que os anciãos dão sentença um depois do outro e dois talentos de ouro esperam quem disser "a sentença mais reta". A outra cidade está cercada por dois exércitos, que se dividem entre saquear ou repartir os bens; entre os combatentes anda a Quere funesta, que "puxava um terceiro, morto, pelos pés através da refrega".
Em volta vem a vida de trabalho: um campo arado três vezes, cuja terra "escurecia atrás deles e parecia arada, embora fosse de ouro", uma vinha de ouro, uma manada atacada por leões e uma dança como a que Dédalo fez em Cnossos para Ariadne. O escudo mostra a paz e a guerra lado a lado, como partes do mesmo mundo.
Há mais de uma leitura. Uma vê no escudo um quadro de tudo o que a guerra deixa de fora: casamento, justiça, colheita e dança, que o herói carregará no braço enquanto mata. Outra liga o escudo à morte próxima de quem o vai usar, porque o próprio Hefesto diz a Tétis que gostaria de poder escondê-lo da morte, "tão certo como ele terá armas belas". O ouro do escudo também serve na batalha: no Canto XX, detém a lança de Eneias.