Na Ilíada, os deuses interferem na guerra o tempo todo, e Zeus é quem tem o plano. No Canto I, ele acena a Tétis que honrará Aquiles, o que custa a vida de muitos gregos: "e cumpria-se o desígnio de Zeus". No Canto II, manda um Sonho enganar Agamêmnon. No Canto VIII, proíbe os outros deuses de ajudar um dos lados: quem desobedecer "voltará ao Olimpo golpeado", e ele afirma que nenhum deles o arrastaria do céu à planície.
Os outros deuses tomam partido. Hera e Atena apoiam os gregos, e Atena segura Aquiles pelos cabelos no Canto I, engana Heitor com a figura de Deífobo no Canto XXII e dá força a Diomedes no Canto V. Apolo e Afrodite apoiam os troianos: Afrodite salva Páris, Apolo desarma Pátroclo e abandona Heitor quando a balança desce. No Canto XIV, Hera seduz Zeus com o cinto de Afrodite e o adormece para que Poseidon ajude os gregos.
Os deuses também têm limites. No Canto XVI, Zeus pensa em tirar o filho Sarpédon da luta, e Hera responde: "um homem mortal, desde há muito destinado pelo fado, queres livrá-lo de novo da morte?", e ele cede. Uma frase quase igual aparece no Canto XXII, dita por Atena, quando Zeus hesita em salvar Heitor. Os deuses podem mudar o dia a dia da batalha, mas não parecem poder mudar a sorte já fixada.
O contraste com os homens é marcado. Os deuses brigam e riem: no Canto I, "um riso inextinguível" ergue-se entre eles ao ver Hefesto se afanar pela sala, enquanto na terra muitos morrem. Para uns leitores, é isso que dá peso à morte humana; para outros, mostra que a fonte do destino fica fora dos homens, e que só resta a eles a maneira de enfrentá-lo.