O tema da Ilíada está na primeira palavra do poema em grego, mênis, a ira. O poeta não promete contar a guerra de Troia inteira, e sim a ira de Aquiles e o que ela custou: "a ira funesta que impôs aos aqueus dores sem conta". A ira nasce de uma questão de honra, o prêmio que Agamêmnon toma de Aquiles, e se espalha pelos companheiros.
Aquiles mesmo descreve a ira no Canto XVIII, depois de perder Pátroclo: "a ira que, muito mais doce que o mel que escorre, cresce como fumaça no peito dos homens". E no Canto XIX a encerra diante do exército: "agora, de fato, eu faço cessar a ira, e não me convém ficar sempre enfurecido sem trégua". Ela só termina, porém, depois da morte de Pátroclo, e é então que Aquiles deixa de se voltar contra Agamêmnon.
Em volta da ira, o poema trabalha outros temas. A morte e o destino aparecem na balança em que Zeus pesa as Queres, a condição frágil dos homens na imagem de Glauco, "tal como é a geração das folhas, assim é a dos homens", e o luto, no lamento de Aquiles por Pátroclo e no funeral de Heitor. No Canto XXIV, Aquiles diz a Príamo que Zeus guarda no chão "dois jarros", "um de males, o outro de bens".
Para muitos leitores, o poema vai da ira à piedade: no Canto XXIV, o deus Apolo diz que Aquiles "perdeu a piedade", e no mesmo canto ele devolve o corpo de Heitor, chorando com o pai do inimigo. Outros preferem ler o fim como uma pausa, e não uma saída, porque a guerra continua e a morte de Aquiles está anunciada. Os dois modos de ler se apoiam no texto.