Clavis Libri

Júlio César · Ato I · Cena II

Cássio trabalha Bruto

Resumo da cena

Nas Lupercais, festa em que corredores percorrem Roma, Júlio César passa em procissão e manda Calpúrnia ficar no caminho de Marco Antônio, que vai correr, pois, segundo os antigos, a mulher estéril tocada na corrida se livra da maldição. Um adivinho grita da multidão e o previne contra os Idos de Março; César o chama de sonhador e segue. Bruto recusa ir ver os jogos e fica com Cássio, a quem explica que anda em guerra consigo mesmo e por isso esfriou com os amigos. Cássio diz que Bruto não vê o próprio valor e se oferece como espelho: muitos romanos de peso, sob o jugo da época, queriam que ele abrisse os olhos.

Gritos da multidão chegam de longe, e Bruto diz temer que o povo faça César rei. Cássio observa que, se Bruto teme isso, é porque não quer César como rei, e Bruto confirma que não quer, embora ame César e diga amar mais a honra do que teme a morte. Cássio conta que ele e César nasceram igualmente livres, que salvou César quase afogado no Tibre e que o viu tremer de febre na Espanha, e se escandaliza de que um homem assim seja tratado como deus. Diz que a culpa não está nas estrelas, mas em quem se curva, pergunta o que o nome de César tem que o de Bruto não tenha e lembra o Bruto antigo, que não toleraria um rei. Bruto pede tempo para pensar, mas declara que preferiria ser aldeão a ser romano sob as condições que o tempo promete.

César volta irritado e diz a Antônio que desconfia de Cássio, magro, que pensa demais e não gosta de música: homens assim são perigosos. Logo recua e diz que não o teme, pois sempre é César. Casca, puxado pela manga, conta que Antônio ofereceu a César uma coroa três vezes, que ele a recusou todas e que a plebe aplaudiu cada recusa; que César caiu com espuma na boca; que Cícero falou em grego; e que Marulo e Flávio foram silenciados por tirar enfeites das estátuas. Bruto vai embora. Cássio, sozinho, admite que César o trata mal e ama Bruto, e decide jogar pelas janelas de Bruto cartas em letras de vários cidadãos, falando da boa opinião que Roma tem dele e insinuando a ambição de César.

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