O tema na obra
A ambição de Brás Cubas aparece primeiro como desejo de nome. No capítulo II, o emplasto lhe daria ver as palavras Emplasto Brás Cubas impressas nos jornais, mostradores, folhetos e esquinas (ver o emplasto). No capítulo III, o pai já inventara que as cubas vinham de trezentas tomadas aos mouros.
No capítulo XX, ele troca Marcela pela ambição e imagina-se banqueiro, político ou até bispo, desde que tenha cargo, preeminência e reputação. No capítulo XXVIII, a hipocondria dá lugar ao amor da nomeada, e no capítulo XLIII Lobo Neves lhe toma a candidatura e Virgília.
A ambição passa de um homem a outro: no capítulo LVIII, Lobo Neves confessa a falta de glória pública; no capítulo LIX, Brás se pergunta por que não será ministro. No capítulo CXXIX diz ter só vontade de ser ministro de Estado, no capítulo CXL sofre a perda da cadeira de deputado, e no capítulo CLX a lista de negativas diz que não foi ministro nem califa.
A ambição vem de casa e se mede em cargos. No capítulo XLIV, o pai de Brás repete atônito "Um Cubas!" ao ver desfeitos os castelos que engenhara, e Brás diz que ele morreu com a tristeza de não ver o filho posto em lugar alto. No capítulo LXXVIII, Lobo Neves anuncia que talvez ocupe uma presidência de província e a dá por definitiva, em nome das necessidades políticas e da promessa de fazer de Virgília uma marquesa; no capítulo LXXXIII, vai recusar o cargo por causa do número 13, ligado à morte dos pais dele, e Brás conclui que, sendo ele ambicioso, o sacrifício devia ser sincero. No capítulo CXXXVII, Brás discursa sobre a barretina da guarda nacional para chegar à pasta, animado por Quincas Borba, que diz ser idade de governo.
A ambição de Brás é de lugar, não de obra: qualquer cargo serve, contanto que seja posição. Ela vem do pai, que queria vê-lo posto em lugar alto, e se pega pelo exemplo, como no vinho enérgico da política que ele deseja ao ver a tristeza de Lobo Neves. Nas duas pontas do livro, o emplasto e a lista de negativas, o resultado é o mesmo: o nome que ele queria ver impresso e a pasta que não veio. O narrador conta a falta sem queixa, e o leitor decide se há ali desencanto ou orgulho.
Onde aparece
- Capítulo II: Brás Cubas concebe um emplasto anti-hipocondríaco e o apresenta ao governo como obra cristã, mas confessa, já defunto, que o motivo principal era ver o próprio nome impresso em tudo.
- Capítulo III: O pai de Brás, achando que o sobrenome cheirava a tanoaria, tenta entroncar-se no capitão-mor Brás Cubas e, repelido, inventa que as cubas vinham de trezentas tomadas aos mouros.
- Capítulo XX: Ao ouvir do capitão a predição de um grande futuro, Brás troca Marcela pela ambição e se imagina banqueiro, político ou até bispo, contanto que tenha cargo, preeminência e reputação.
- Capítulo XXVIII: O pai de Brás descreve a noiva como filha do Conselheiro Dutra, uma influência política, e a hipocondria do filho dá lugar ao amor da nomeada.
- Capítulo XLIII: Lobo Neves toma de Brás Virgília e a candidatura em poucas semanas, e Virgília pergunta a Lobo Neves quando será ministro e se a fará baronesa, e ele responde que a fará marquesa.
- Capítulo XLIV: O pai de Brás repete atônito "Um Cubas!" ao ver desfeitos os castelos que engenhara, e Brás diz que ele morreu com a tristeza de não ver o filho posto em lugar alto.
- Capítulo LVIII: Lobo Neves confessa a Brás que traz uma triste carcoma na existência, a falta de glória pública, e lhe conta os tédios e as amarguras da política.
- Capítulo LIX: Ao sair da casa de Lobo Neves, Brás vê numa sege um ministro que foi seu companheiro de colégio e se pergunta por que não será ele também ministro.
- Capítulo LXXVIII: Lobo Neves anuncia que talvez ocupe uma presidência de província e a dá por definitiva, em nome das necessidades políticas e da promessa de fazer de Virgília uma marquesa.
- Capítulo LXXXIII: Lobo Neves vai recusar o cargo por causa do número 13, ligado à morte dos pais dele, e Brás conclui que, sendo ele ambicioso, o sacrifício devia ser sincero.
- Capítulo CXXIX: Brás afirma que não tinha remorsos, só a vontade de ser ministro de Estado, e que no lugar das súplicas de Príamo ouvia o discurso de Lobo Neves.
- Capítulo CXXXVII: Brás discursa sobre a barretina da guarda nacional para chegar à pasta e recua quando veem oposição no discurso, animado por Quincas Borba, que diz ser idade de governo.
- Capítulo CXL: Brás sofre com a perda da cadeira de deputado, e Quincas Borba chama a ambição dele de capricho, o que Brás responde mandando o filósofo para o diabo com o Humanitismo.
- Capítulo CLX: Brás lista o que não foi nem teve, como ministro e califa, e conclui que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.
Passagens
O remédio é pretexto para o nome.
o que me influiu principalmente foi o gosto de ver impressas nos jornais, mostradores, folhetos, esquinas [...] estas três palavras: Emplasto Brás Cubas
A hipocondria se recolhe ao botão e dá lugar ao amor da nomeada.
a flor da hipocondria recolheu-se ao botão para deixar a outra flor menos amarela, e nada mórbida
Brás se vê como o pavão que perde para a águia.
Virgília comparou a águia e o pavão, e elegeu a águia, deixando o pavão com o seu espanto, o seu despeito, e três ou quatro beijos que lhe dera
A ambição passa de Lobo Neves para Brás como um vinho.
Deve ser um vinho enérgico a política
Lobo Neves pede à mulher que não ponha peso nas asas da ambição.
Dirás que sou ambicioso? Sou-o deveras, mas é preciso que me não ponhas um peso nas asas da ambição
A ambição ocupa o lugar do remorso.
Mas eu não tenho aparelhos químicos, como não tinha remorsos; tinha vontade de ser ministro de Estado