Quem é
Cunhado de Brás Cubas, marido de Sabina e pai da sobrinha Venância em Memórias Póstumas de Brás Cubas. O livro o apresenta primeiro como figura da família e só mais tarde o retrata de corpo inteiro (capítulo CXXIII): ferozmente honrado, acusado de avareza e de barbaridade, tesoureiro de confraria, que manda aos jornais a notícia dos seus benefícios. Disputa a herança com Brás, o avisa do risco do caso com Virgília e rompe com ele pela imprensa.
Trajetória
Brás o nomeia, ao contar a própria morte, como marido de Sabina (capítulo I), e Brás o apresenta como pai da sobrinha Venância (capítulo III). Depois da missa do sétimo dia, quase leva Brás à força, e Brás se isola na Tijuca (capítulo XXV). Na partilha, põe a casa em trinta e cinco contos e Brás em cinquenta, e pergunta se o pai não libertou também a prata; responde à moral do tio com a graça de que a questão não é de pão, é de manteiga (capítulo XLVI).
creio que não libertou a prata?
Visita Brás com a sobrinha Sara, de pazes feitas, e condena a viagem ao Norte; Brás confessa não ter entendido um gesto dele (capítulo LXXXI). Leva-o à janela e o aconselha a desistir: na corte um caso desses se perde na multidão, na província as gazetas o imprimiriam, e ele diz saber "disso" há longos meses (capítulo LXXXIII).
Aqui na corte, um caso desses perde-se na multidão da gente e dos interesses; mas na província muda de figura
Consultado sobre o casamento com Nhã-loló, não opina, porque louvar a sobrinha pareceria interesse, e acha indispensável casar a quem tem ambições políticas; Brás então faz o retrato dele, com argumentos que também o acusam (capítulo CXXIII).
a avareza é apenas a exageração de uma virtude e as virtudes devem ser como os orçamentos: melhor é o saldo que o deficit
Semanas depois do enterro de Nhã-loló, quando Damasceno se queixa dos amigos que faltaram, diz-lhe que vieram os que de fato se interessam (capítulo CXXVI). Chega transtornado ao saber do jornal, repete "desatino" e recusa ler o programa (capítulo CXLVII), declara pela imprensa que não tem parte nele e reprova as ideias do cunhado, e Brás não entende por quê, embora ponha na cena o dado de que os fornecimentos dependem do governo que o jornal ataca (capítulo CXLVIII). Quincas Borba o defende da acusação de ingratidão com a teoria do benefício (capítulo CXLIX), e Brás se reconcilia com ele (capítulo CLVII).
Temas que encarna
Os temas que passam por ele são Escravidão e Aparência e realidade.
Escravidão: a defesa que Brás faz dele explica o trato duro com os escravos pelo ofício de contrabandista e deixa ver o calabouço de onde desciam a escorrer sangue (capítulo CXXIII).
Aparência e realidade: o retrato a óleo e a notícia nos jornais fazem da honra uma encenação, e cada virtude que Brás enumera traz junto o seu avesso (capítulo CXXIII).
O que Cotrim cala pesa mais do que o que diz: no capítulo CXXIII não revela o que ia dizer sobre o casamento, e no capítulo LXXXIII avisa de um segredo que sabe há meses sem dizer por que fala agora. Brás o defende contra a própria injustiça, e o elogio vira acusação a cada virtude que ele conta.
Relações
- Sabina: a mulher, com quem forma o casal que briga e depois se reconcilia com Brás.
- Brás Cubas: o cunhado com quem disputa a prata, a quem avisa e de quem se separa pelos jornais.
- Nhã-loló: a sobrinha que ele não quer louvar para não parecer interessado.
- Quincas Borba: o filósofo que lhe dá a absolvição da teoria do benefício.
- Prudêncio: o ex-escravo posto, no inventário, ao lado da prataria.