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Perguntas · Memórias Póstumas de Brás Cubas

O que Machado de Assis diz sobre a morte em Memórias Póstumas de Brás Cubas?

A morte é o ponto de partida do livro: quem escreve já morreu. Brás Cubas começa pelo próprio óbito, numa sexta-feira de agosto de 1869, e explica que não é um autor que morreu, mas um morto que escreve: "eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço". A dedicatória é ao verme que primeiro roeu o seu cadáver.

Estar morto dá a Brás uma liberdade que os vivos não têm. Ele diz que "a franqueza é a primeira virtude de um defunto": vivo, a opinião dos outros obriga a calar; morto, sem plateia, pode confessar tudo. Por isso o livro fala das mortes com secura, a do pai, de Nhã-loló, de Dona Plácida, de Quincas Borba (a exceção é a da mãe, que, diz ele, o encheu "de dor e estupefação"), e mostra, ao lado delas, o que os vivos fazem com os mortos: a partilha da herança, o epitáfio, o enterro com poucos convidados.

No último capítulo, Brás faz o balanço da vida pelo que não teve e encontra um pequeno saldo na morte sem descendência: "Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria." A morte, no livro, não traz consolo nem castigo: é o lugar de onde se vê a vida inteira sem ilusão.

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