Brás Cubas é o narrador e o protagonista do romance. Nasceu no Rio de Janeiro em 20 de outubro de 1805, numa família que enriqueceu e depois inventou para si uma origem nobre, formou-se bacharel em Coimbra, foi deputado sem chegar a ministro e teve como amante uma mulher casada. Morreu em 1869, aos sessenta e quatro anos, solteiro, e conta tudo depois de morto, como "defunto autor".
A vida que ele narra é de projetos que não se completam: um emplasto contra a melancolia, uma candidatura que outro lhe toma, uma cadeira de deputado que perde, um jornal que morre em meses. De menino, confessa ter saído "opiniático, egoísta e algo contemptor dos homens". Já adulto, protesta contra quem o chama de cínico: "eu não sou cínico, eu fui homem".
O que faz dele um personagem inesquecível é a voz. Brás interrompe a história para falar com o leitor, corrige o que escreveu antes, anuncia que vai suprimir um capítulo que continua escrito e chega a dizer que "o maior defeito deste livro és tu, leitor". Como está morto, diz o que um vivo calaria, e cada confissão vem acompanhada de uma teoria que a explica. O leitor fica entre admirar a lucidez e notar que a teoria costuma chegar a tempo de ser conveniente; o texto sustenta as duas leituras.