Memórias Póstumas de Brás Cubas termina com um balanço de negativas: Brás, morto, soma o que não foi nem teve e acha um pequeno saldo, o de não ter tido filhos. É a última frase do livro.
Nos capítulos finais as perdas se acumulam. O ministério que Brás esperava não vem, e o capítulo que devia contar isso é feito só de pontos. Ele perde a cadeira de deputado e funda um jornal de oposição que morre em meses, quando morre também Lobo Neves, às vésperas de ser ministro; Virgília o chora de verdade. A pedido dela, Brás manda Dona Plácida para a Misericórdia, onde ela amanhece morta. Num mesmo dia vê Marcela morrer num hospital e encontra Eugênia, coxa e mais triste, num cortiço, onde ela não aceitaria esmola dele. Quincas Borba volta demente e consciente disso e morre em casa de Brás, repetindo que a dor é ilusão.
O último capítulo, "Das negativas", diz que Brás não alcançou a celebridade do emplasto, não foi ministro, não foi califa e não conheceu o casamento. Ao lado dessas faltas, a sorte lhe poupou o pão ganho com suor, a morte de Dona Plácida e a semidemência de Quincas Borba. Somadas as coisas, qualquer pessoa imaginaria que ele saiu quite com a vida, mas ele acha um pequeno saldo, a derradeira negativa: "Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria."