Brás Cubas morreu de pneumonia, mas ele mesmo atribui a morte a uma ideia, a do emplasto. No primeiro capítulo conta: "Morri de uma pneumonia; mas se lhe disser que foi menos a pneumonia, do que uma idéia grandiosa e útil, a causa da minha morte, é possível que o leitor me não creia, e todavia é verdade."
A ideia é o emplasto anti-hipocondríaco, apresentado no capítulo II. No quinto, Brás explica o encadeamento. Ocupado em preparar a invenção, "recebi em cheio um golpe de ar; adoeci logo, e não me tratei". No outro dia estava pior, tratou-se "incompletamente, sem método, nem cuidado, nem persistência", e daí veio o mal que o levou. Não sentiu a dor a tempo porque, conta, "trazia comigo a idéia fixa dos doidos e dos fortes". Diz ter provado que a invenção o matou e logo enfraquece a prova: "Há demonstrações menos lúcidas e não menos triunfantes."
Ele morreu numa sexta-feira de agosto de 1869, às duas da tarde, na chácara de Catumbi, aos sessenta e quatro anos e solteiro. Doente, recebeu a visita de Virgília e teve o delírio que ocupa o capítulo VII. No último capítulo volta ao assunto: o emplasto "morreu comigo, por causa da moléstia que apanhei".
O livro dá, assim, duas causas lado a lado: a médica, a pneumonia do golpe de ar, e a moral, a vaidade de quem queria ver o nome nas caixinhas do remédio. Brás as junta com uma ironia que não decide qual das duas pesa mais.