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Perguntas · Memórias Póstumas de Brás Cubas

Como é a ironia de Machado de Assis em Memórias Póstumas de Brás Cubas?

A ironia de Memórias Póstumas está quase toda na voz de Brás Cubas, que conta coisas graves em tom leve e deixa o leitor perceber o que ele mesmo não diz. O próprio narrador a define no prólogo ao leitor: escreveu a obra "com a pena da galhofa e a tinta da melancolia". O riso é o instrumento; o que ele mostra é triste.

Os exemplos estão por toda parte. Do primeiro amor, Brás resume: "Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos." A frase parece declaração de amor e é uma conta de despesas. Depois de matar uma borboleta preta que lhe entrou no quarto, comenta: "Vejam como é bom ser superior às borboletas!" E, quando fala do próprio livro, culpa quem lê: "o maior defeito deste livro és tu, leitor".

A ironia também atinge o próprio Brás. Ele se justifica com teorias engenhosas, como a de que o vício é muitas vezes o estrume da virtude, e o leitor vê o interesse por trás da teoria. Por isso a leitura pede atenção: quase nada no livro se diz de frente, e o sentido mora no intervalo entre o que Brás afirma e o que a cena mostra.

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