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Perguntas · Memórias Póstumas de Brás Cubas

Qual é a relação entre Memórias Póstumas de Brás Cubas e o romance Quincas Borba?

Os dois romances são de Machado de Assis e dividem um personagem, o filósofo Quincas Borba, mas cada um conta uma história própria: Memórias Póstumas de Brás Cubas vem primeiro e é a vida de Brás; Quincas Borba é a história de Rubião, que herda a fortuna do filósofo.

Em Memórias Póstumas, Quincas Borba é o colega de escola de Brás que reaparece mendigo, furta-lhe o relógio num abraço, volta herdeiro de um tio e expõe o Humanitismo, e que morre louco em casa de Brás, repetindo que "a dor era uma ilusão". Em Quincas Borba, Rubião, um professor de Barbacena, cuida do filósofo por perto de seis meses e ouve dele a doutrina de Humanitas e a máxima "Ao vencedor, as batatas"; quando o filósofo morre, Rubião herda tudo, com a condição de cuidar do cão do filósofo, que tem o mesmo nome do dono.

Quem não leu o primeiro livro não fica perdido no segundo: no capítulo IV, o narrador apresenta o personagem de novo, em poucas linhas, como "aquele mesmo náufrago da existência, que ali aparece, mendigo, herdeiro inopinado, e inventor de uma filosofia". O próprio Brás Cubas é citado em duas cenas de Quincas Borba: o filósofo lembra que já furtou "um relógio do meu amigo Brás Cubas", e é Brás quem avisa Rubião da morte dele, num bilhete, dizendo que o amigo "faleceu ontem em minha casa".

Não é, portanto, uma continuação. Machado recusa, no prólogo de Quincas Borba, a sugestão de um amigo de fazer uma trilogia com as Memórias, deixando a Sofia para a terceira parte: "A Sofia está aqui toda. Continuá-la seria repeti-la."

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