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Perguntas · Memórias Póstumas de Brás Cubas

O que é o emplasto de Brás Cubas?

O emplasto anti-hipocondríaco é a invenção a que Brás Cubas atribui a própria morte: um remédio "destinado a aliviar a nossa melancólica humanidade". Brás o apresenta ao governo como obra cristã, mas confessa, depois de morto, que o motivo principal era outro: "o gosto de ver impressas nos jornais, mostradores, folhetos, esquinas" as três palavras "Emplasto Brás Cubas".

O emplasto nunca chega a existir como remédio. Brás conta que, ocupado com ele, apanhou um golpe de ar, tratou-se sem método e morreu de pneumonia, e admite que a prova é fraca: "Há demonstrações menos lúcidas e não menos triunfantes". O desejo do nome vem do pai, que, achando que o sobrenome cheirava a tanoaria, inventou que as cubas vinham de trezentas tomadas aos mouros; o filho quer o sobrenome nas caixinhas do remédio.

Depois do quinto capítulo, nada no livro mostra Brás trabalhando no emplasto, mas o que ele representava passa a outras formas: a nomeada que o pai ensina a querer, o gosto de ver-se ministro, o desejo de agitar-se. No último capítulo, o emplasto está entre as ambições que não se cumpriram, ao lado da pasta de ministro e do casamento; Brás o chama de "divino emplasto" e diz que o caso determinou o contrário do que ele prometia.

Duas leituras cabem. O emplasto é a vaidade de um ocioso com verniz de filantropia, ou é a melancolia que o próprio Brás conhece, tratada pela única via que ele sabe, a de fazer-se notado. Em qualquer delas, o remédio que devia curar a tristeza de todos acaba sendo o nome de um homem.

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