O Humanitismo é a doutrina de Quincas Borba, o colega de escola de Brás Cubas que volta como mendigo e depois como herdeiro. O nome vem de Humanitas, "o princípio das coisas", que a doutrina define como "o mesmo homem repartido por todos os homens".
Quincas expõe o sistema a Brás à mesa, entre o frango e o café, e dias depois lhe lê os quatro volumes manuscritos. Dele tira que o homem, ao mesmo tempo veículo, cocheiro e passageiro, deve adorar-se a si próprio; que guerra, fome e crime são funções necessárias; que a inveja é uma virtude, por ser uma admiração que luta; que a dor é uma pura ilusão; e que só há uma desgraça: não nascer. O frango do almoço entra na demonstração como resultado de uma multidão de esforços e lutas. No fim, o filósofo fecha os volumes defendendo Pangloss, o otimista que Voltaire ridicularizou.
O doutrinador aplica a tese ao que acontece. Quando Nhã-loló, noiva de Brás, morre de febre amarela, Quincas explica que as epidemias servem à espécie. Diante de dois cães que brigam por um osso sem carne, para em êxtase: "Vida é luta." Brás usa o Humanitismo como ferramenta de ocasião: batiza com ele um beijo, apoia nele o programa de um jornal e o manda para o diabo quando a doutrina fere a dor que ele sente. O próprio Quincas acaba louco, consciente de que está louco, e morre repetindo que a dor é ilusão.
O livro não discute o Humanitismo como filosofia: mostra quem o usa e a quem convém. O procedimento é sempre o mesmo, rebatizar o que se condena até que caiba entre as virtudes. No romance seguinte, Quincas Borba, o princípio é retomado, e Rubião, o herdeiro do filósofo, recebe a doutrina e a repete depois da morte dele.