Lobo Neves é o marido de Virgília e o rival de Brás Cubas: toma-lhe, em poucas semanas, a noiva e a candidatura a deputado, e anos depois é o homem que Brás engana. É um ambicioso declarado, orador e deputado, que quer a glória pública.
Brás diz que ele não era mais esbelto, elegante, lido nem simpático do que ele, e mesmo assim o vê vencer. A Virgília, que lhe pergunta quando será ministro e se a fará baronesa, ele responde: "Marquesa, porque eu serei marquês". Já casado com ela, confessa a Brás, aos poucos, a falta que o consome: "trazia uma triste carcoma na existência; faltava-lhe a glória pública".
O livro o mostra pelo olhar de Brás, e por isso deixa em aberto o que ele sabe. Quando bate à porta da casinha da Gamboa, fica "pálido, frio, quieto, sem explosão, sem arrebatamento", calma que pode ser a de quem nada percebeu ou a de quem se controla. Brás reconhece nele "certa dignidade fundamental, uma camada de rocha". Lobo Neves recusa uma presidência de província porque o decreto tem a data de 13, número ligado à morte dos pais dele, embora ele mesmo duvide da superstição; depois é nomeado por um decreto de 31 e embarca com Virgília. A ambição continua de pé. Ele morre quando ia ser ministro.