Prudêncio é o moleque de casa que o menino Brás Cubas transforma em cavalo, e que reaparece, já liberto, castigando um escravo seu no Valongo. O livro o mostra poucas vezes e quase não lhe dá a palavra.
Na infância, Brás o descreve como "o meu cavalo de todos os dias": o menino cavalga, põe-lhe um freio na boca e o fustiga, e o único "ai, nhonhô!" de Prudêncio recebe de volta "Cala a boca, besta!". Prudêncio acompanha Brás à Tijuca depois da morte da mãe. Na partilha da herança aparece livre havia dois anos: o pai de Brás o alforriara sem dar parte a ninguém, e Cotrim pergunta se o pai não teria libertado também a prata.
No Valongo, Brás encontra um ajuntamento: Prudêncio vergalha um preto na praça. Ao ver Brás, pede-lhe a bênção, explica que bate no seu escravo por vadio e bêbado e obedece quando Brás manda perdoar: "Nhonhô manda, não pede." Brás dá então a leitura da cena: era "um modo que o Prudêncio tinha de se desfazer das pancadas recebidas", passando-as adiante a outro. Conta o episódio com graça, e a graça é o que fica à mostra dele, que, criança, montava Prudêncio e o desancava sem compaixão.
Prudêncio é, assim, um elo da cadeia de pancadas que o livro descreve, e Brás é o primeiro anel. A cena admite duas leituras que o texto sustenta: a ironia contra a alegria de Brás, que ri do que não devia, e a análise limpa de uma violência recebida que se repete em quem tem alguém abaixo.