O tema principal da Odisseia é o retorno para casa, que os gregos chamam de nóstos. O poema pergunta o que significa voltar: não apenas atravessar o mar, mas reencontrar a casa, a mulher, o filho e o pai e provar, a cada um, que se continua sendo quem se era. Por isso o tema do lar anda sempre junto com o da identidade.
O retorno aparece desde o início: Odisseu "muito vagou" depois de saquear Troia, e os deuses decidem, no primeiro canto, que chegou o ano da volta. Calipso e Circe querem retê-lo como marido, e nenhuma o persuade. Entre os lotófagos, o fruto do lótus faz quem o come esquecer a volta. Quando enfim pisa Ítaca, o retorno ainda não terminou, porque a casa está ocupada e a esposa não o reconhece. Cada obstáculo é uma pergunta sobre o que é a casa: o lugar, as pessoas ou o nome que se carrega.
A identidade é o segundo eixo. Odisseu perde tudo, esconde o nome diante de Polifemo, é um náufrago anônimo entre os feácios, um mendigo em Ítaca. Alcínoo lhe diz que "ninguém entre os homens é de todo sem nome", e Telêmaco, no primeiro canto, diz que ninguém conhece por si mesmo a própria origem. A verdade e a mentira entram aqui: Odisseu mente muito, sempre com histórias "semelhantes às verdades", e Atena, que o conhece, ri e se declara igual a ele em astúcia.
Os outros temas que o poema desenvolve decorrem desses dois: a família (Telêmaco, Penélope, Laertes, e o contraste com a casa de Agamêmnon, onde a volta acabou em morte), a lealdade e a traição (Eumeu, Euricleia e Filécio de um lado, as doze servas e o cabreiro Melâncio de outro) e a vingança, que Odisseu cumpre contra os pretendentes e que o poema fecha com uma paz imposta. Lido assim, o poema não é apenas uma aventura de viagem, mas uma reflexão sobre o que sobra de um homem quando lhe tiram o lugar e o nome.