Odisseu é o herói da Odisseia: rei da ilha de Ítaca, filho de Laertes, marido de Penélope e pai de Telêmaco, um dos chefes gregos que saquearam Troia. O poema o apresenta já nos primeiros versos como o homem "de muitas voltas", aquele que muito vagou e conheceu as cidades e os costumes de muitos povos.
Quando a história começa, ele é o único dos heróis que sobreviveram à guerra a ainda não ter voltado para casa. Está preso na ilha da ninfa Calipso, e em Ítaca outros homens cortejam a mulher dele e consomem os seus bens. Os deuses decidem que chegou o ano do retorno, e o poema segue a volta dele. Aos feácios, que o acolhem sem saber quem é, ele só diz o nome quando o rei lhe pergunta: "sou Odisseu, filho de Laertes, que por todos os ardis sou assunto entre os homens, e minha fama chega ao céu".
O que o define é a astúcia. Nestor lembra a Telêmaco que em Troia ninguém quis medir-se com Odisseu em ardis, porque ele vencia de longe com toda sorte deles, e Atena diz ao próprio Odisseu que ele é de longe o melhor de todos os mortais em conselho e palavras. Ele mente com facilidade, muda de aparência quando precisa e sabe esperar. Mas também aguenta: diante de Calipso, afirma que, se um deus o ferir no mar, suportará, "tendo no peito um ânimo paciente na dor", e chora escondido, com o manto sobre o rosto, quando o cantor Demódoco lhe lembra Troia.
A Odisseia o despoja de tudo: perde os navios, os companheiros, as roupas e, por um tempo, até o nome. Chega a Ítaca disfarçado de mendigo e precisa provar, de pessoa em pessoa, quem é. Por isso o poema costuma ser lido como a história de um homem desmontado e remontado, e Odisseu como a pergunta sobre o que sobra de alguém quando lhe tiram tudo. A resposta que ele mesmo dá é simples: "não consigo ver nenhuma outra terra mais doce do que a dela", diz de Ítaca, e é por essa terra, por essa casa e por essa gente que ele recusa todas as outras vidas que lhe oferecem.