A Odisseia tem 24 cantos, escritos em versos hexâmetros gregos, um poema de tradição oral fixado por escrito por volta do século VIII a.C. A história que ele conta ocupa algumas semanas, mas o tempo que ele abrange é de vinte anos, porque Odisseu relembra o que viveu desde que partiu para Troia.
Uma divisão útil para quem começa a ler agrupa os cantos em quatro blocos. Os cantos I a IV são a Telemaquia: Telêmaco em Ítaca, em Pilos e em Esparta, em busca do pai. Os cantos V a VIII acompanham Odisseu de Calipso até o palácio dos feácios, onde ele ainda não diz o nome. Os cantos IX a XII são a viagem que ele mesmo conta ao rei Alcínoo, da terra dos cícones até a ilha do Sol. Os cantos XIII a XXIV passam em Ítaca, da chegada à matança dos pretendentes, ao reencontro com Penélope e Laertes e à paz final.
Há uma peculiaridade de narração: no meio do poema, nos cantos IX a XII, o narrador cede a palavra a Odisseu, que fala em primeira pessoa aos feácios. Por isso os episódios mais célebres, como o ciclope, as Sereias e a descida ao mundo dos mortos, vêm contados por quem os viveu, com os cuidados e as omissões de quem conta. O restante do poema é narrado em terceira pessoa.
Para ler com calma, uma boa medida são seis semanas de quatro cantos cada, na ordem das partes do poema, cerca de 10 páginas por dia. Não é preciso ler tudo de uma vez: cada canto traz um episódio completo, e as passagens mais célebres, como o ciclope, as Sereias, o arco e o leito de oliveira, podem ser lidas à parte.