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Perguntas · Odisseia

Quem reconhece Odisseu ao voltar para Ítaca, e como?

Odisseu volta a Ítaca irreconhecível: Atena derrama névoa sobre ele e depois o disfarça de mendigo velho, para que nem a esposa, nem os cidadãos, nem os amigos o reconheçam antes que os pretendentes paguem pelo que fizeram. O poema transforma então o reconhecimento em série, e cada pessoa o reconhece de um modo diferente.

Na cabana de Eumeu, Telêmaco é o primeiro a saber. Quando o mendigo diz "sou teu pai", o filho recusa acreditar e pensa que um deus o engana para que ele chore mais; só se convence quando o homem afirma que "não virá aqui outro Odisseu". Depois, no palácio, o cão Argos o reconhece. Deitado no esterco à porta, ele vê o dono depois de vinte anos, abana o rabo e baixa as orelhas, mas já não consegue levantar-se. Odisseu enxuga uma lágrima, e o cão morre.

No canto XIX, a ama Euricleia o reconhece pela cicatriz que um javali lhe fez na perna, quando ela lhe lava os pés. Odisseu havia se sentado perto da lareira, voltado para a sombra, justamente para evitar isso; ela deixa cair o pé na bacia, o bronze ressoa, e ele a obriga ao silêncio. Mais tarde, ele mostra a mesma cicatriz ao porqueiro Eumeu e ao boieiro Filécio, para que acreditem. Penélope, por sua vez, o reconhece pelo leito de oliveira (canto XXIII), e Laertes, no último canto, pela cicatriz e pelas árvores do pomar.

Em cada caso, o sinal é de um tipo: o instinto do cão, o corpo marcado, o segredo do quarto, o pomar da infância. O nome só não basta, porque qualquer mentiroso poderia dizê-lo, e Odisseu mesmo mente com frequência: a Eumeu e a Penélope conta histórias cretenses. A lição do poema, que se repete, é que reconhecer alguém exige mais do que a aparência: exige a lembrança de coisas que só os dois sabem.

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