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Personagem

Piotr Stiepánovitch Verkhoviénski

Quem é

Piotr Stiepánovitch Verkhoviénski, o Pietrucha do pai, é o filho de Stiepan Trofímovitch Verkhoviénski e da primeira mulher dele, mandado criança às tias na Rússia, de quem o pai é tutor e procurador e cuja fazendinha, herdada da mãe, o pai arrendou e vendeu em parte às escondidas (capítulo II da Primeira Parte). Terminou a faculdade havia seis anos, vagou por Petersburgo, esteve envolvido numa proclamação clandestina, apareceu em Genebra, e escreve ao pai muito raramente, com instruções secas, como um proprietário de antigamente a um criado (capítulo II da Primeira Parte). Chega à cidade aos vinte e sete anos, de cabeça alongada e achatada dos lados, cabelo louro ralo, olho agudo e lábios finos, move-se depressa sem pressa nenhuma e fala com uma clareza de contas soltas que acaba por cansar (capítulo V da Primeira Parte). A cidade o toma por emissário estrangeiro com plenos poderes (capítulo VII da Segunda Parte). O que quer é um centro para uma organização que não tem: uma só vontade magnífica, de ídolo, apoiada em algo que esteja fora, e põe em Nikolai Vsievolódovitch Stavróguin o lugar dessa vontade (capítulo III da Terceira Parte); antes disso, uma confusão tal que tudo saia dos eixos, e quintetos atados pelo sangue (capítulo VIII da Segunda Parte, capítulo VI da Terceira Parte). O que teme é perder Stavróguin: suplica, ameaça, elogia e beija-lhe a mão na rua (capítulo VIII da Segunda Parte), e a fuga dele o abala (capítulo IV da Terceira Parte). O que sabe é dar a cada um a mentira de que precisa, ao pai, ao governador, ao escritor, a Kiríllov, a Chátov, e fazer da vergonha de ter opinião própria o cimento do grupo (capítulo VI da Segunda Parte). Onde se engana é em contar com homens sem corpo: previu tudo, menos que os que o obedeciam na conversa gritariam, arranhariam e morderiam diante de um morto (capítulo VI da Terceira Parte).

Trajetória

No capítulo II da Primeira Parte só se ouve falar dele. Stiepan Trofímovitch, ao se perguntar por que os socialistas desesperados são ao mesmo tempo proprietários incríveis, formula sem saber o que o filho vai ser:

почему это все эти отчаянные социалисты и коммунисты в то же время и такие неимоверные скряги, приобретатели, собственники, и даже так, что чем больше он социалист, чем дальше пошел, тем сильнее и собственник…, por que será que todos esses socialistas e comunistas desesperados são ao mesmo tempo avarentos incríveis, acumuladores, proprietários, e a tal ponto que quanto mais socialista, quanto mais longe foi, mais forte é proprietário...
Primeira Parte: O pai dos demônios

No capítulo IV da Primeira Parte Liza conta que foi ele quem, na Suíça, lhe falou de Chátov e lhe indicou Chátov como alguém que sabe dirigir uma tipografia, e Chátov muda de rosto. No capítulo V da Primeira Parte, no salão de Varvara Pietrovna Stavróguina, entra voando, antes de Stavróguin, e anuncia o amigo com uma fala sem pausa; Stiepan Trofímovitch, saindo do torpor, o abraça em lágrimas, e ele se desvencilha. Enquanto Stavróguin está fora, oferece a Varvara Pietrovna uma versão que a lisonjeia da história de Petersburgo, e o capitão Lebiádkin, de pé, confirma tudo ponto por ponto:

весь анекдот делает только честь Николаю Всеволодовичу, toda a anedota só faz honra a Nikolai Vsievolódovitch.
Primeira Parte: A bofetada

Quando Stavróguin volta e o retrata na frente dele, a mãe ouve e ele não pode se ofender:

Петр Степанович — всеобщий примиритель; это его роль, болезнь, конек [...] в качестве реалиста он не может солгать и что истина ему дороже успеха… разумеется, кроме тех особенных случаев, когда успех дороже истины, Piotr Stiepánovitch é o conciliador universal; esse é o papel dele, a doença dele, o cavalo de batalha [...] como realista, ele não pode mentir, e a verdade lhe é mais cara que o sucesso... exceto, claro, nos casos particulares em que o sucesso é mais caro que a verdade.
Primeira Parte: A bofetada

Em seguida lê a carta do pai, que fala de se casar por pecados alheios, em voz de bobo, e Varvara Pietrovna, que ouve em vez de ler, expulsa Stiepan Trofímovitch da casa.

No capítulo I da Segunda Parte, em casa de Stavróguin, entra gritando de propósito para que ele esconda uma carta, confessa que foi ele quem espalhou o boato da ligação com a mulher de Chátov em Paris e explica por que escolheu aparecer como um tolo inofensivo:

Самое бы лучшее совсем без роли, свое собственное лицо, не так ли? Ничего нет хитрее, как собственное лицо, потому что никто не поверит, o melhor seria ficar sem papel nenhum, com a própria cara, não é? Não há nada mais astuto do que a própria cara, porque ninguém acredita nela.
Segunda Parte: A noite dos credores

A tática nova que anuncia, depois de ver Stavróguin recuar as mãos sem revidar a bofetada, é a de se oferecer como instrumento:

Теперь во всем ваша полная воля, то есть хотите сказать да, а хотите — скажете нет. Вот моя новая тактика, agora, em tudo, quem manda é só a sua vontade, quer dizer, se o senhor quiser dizer sim, diz sim, e se quiser, diz não. Essa é a minha tática nova.
Segunda Parte: A noite dos credores

Na saída, dispara ofertas que parecem notícias: Gagánov o odeia, Fiedka está pronto para tudo, e ele mesmo também. No capítulo IV da Segunda Parte, depois de ser informado do duelo só no dia seguinte, faz o pai, deitado e magro, ouvir que era um agregado:

ты был приживальщиком, то есть лакеем добровольным, você era um agregado, quer dizer, um lacaio de livre vontade.
Segunda Parte: A cidade à espera

E à pergunta do pai, se é ou não seu filho, devolve a dúvida:

Но скажи же мне наконец, изверг, сын ли ты мой или нет? — Об этом тебе лучше знать, mas diga-me, afinal, monstro: você é ou não é meu filho? Isso é você que deve saber melhor.
Segunda Parte: A cidade à espera

Com o governador Andrei Antónovitch von Lembke usa a verdade como alavanca:

Ведь вы же умный человек и, конечно, сами не веруете, а слишком хорошо понимаете, что вера вам нужна, чтобы народ абрютировать. Правда честнее лжи, afinal o senhor é um homem inteligente e, claro, não crê por conta própria, mas entende muito bem que precisa da fé para embrutecer o povo. A verdade é mais honesta que a mentira.
Segunda Parte: A cidade à espera

No capítulo V da Segunda Parte está sempre no centro do círculo de Yúlia Mikháilovna von Lembke, que perdoa tudo por conselho dele. No capítulo VI da Segunda Parte, para ganhar seis dias de silêncio de Lembke, entrega Chátov com palavrões e gagueira, como quem trai a contragosto:

То-то вот и есть, вы всегда подкосите вот этою вашею логикой, черт… ну, черт… эта «светлая личность», этот «студент» — это Шатов… вот вам и всё!, é isso mesmo, o senhor sempre me derruba com essa sua lógica, diabo… ora, diabo… essa «figura luminosa», esse «estudante» é Chátov… pronto, é só isso!
Segunda Parte: A cidade à espera

E reduz a conspiração ao tamanho que o governador precisa crer:

Да кто управляет-то? три человека с полчеловеком. Ведь, на них глядя, только скука возьмет, quem é que dirige, afinal? Três homens com meio homem. Só de olhar para eles dá tédio.
Segunda Parte: A cidade à espera
Небось миллион собак ищет, а много ль всего отыскали? Семь человек. Говорю вам, скука возьмет, aposto que um milhão de cães os procura, mas quantos encontraram, no total? Sete pessoas. Eu lhe digo, só dá tédio.
Segunda Parte: A cidade à espera

A Karmazínov dá a data em que a Rússia vai ruir, de maio ao Pokrov; a Kiríllov cobra a morte combinada; a Chátov, doente na cama, convoca ao encontro e ouve que Stavróguin estará lá; a Stavróguin, no caminho para a casa de Virguinski, expõe a organização como quem fala ao chefe, o uniforme, a sentimentalidade, os puros trapaceiros e, por cima, a vergonha de ter opinião própria. Admite que o comitê central é ele e Stavróguin.

No capítulo VII da Segunda Parte, na reunião, bocejando, deixa o grupo votar sem saber o que vota e apara as unhas enquanto Chigalióv lê o sistema; só larga a displicência para pôr a escolha em duas velocidades:

что вам веселее: черепаший ли ход в болоте или на всех парах через болото?, o que lhes parece mais alegre: o passo de tartaruga no pântano ou atravessá-lo a todo vapor?
Segunda Parte: O sistema de Chigalióv

E para marcar quem não entra:

Если бы каждый из нас знал о замышленном политическом убийстве, то пошел ли бы он донести, предвидя все последствия, или остался бы дома, ожидая событий?, se cada um de nós soubesse de um assassinato político em preparo, iria denunciar, prevendo todas as consequências, ou ficaria em casa esperando os acontecimentos?
Segunda Parte: O sistema de Chigalióv

Chátov sai calado, e Piotr lhe grita pelas costas:

Шатов, ведь это для вас же невыгодно!, Chátov, isso não é vantajoso para o próprio senhor!
Segunda Parte: O sistema de Chigalióv

No capítulo VIII da Segunda Parte, na rua enlameada, a mesma pessoa suplica, ameaça com a faca da bota e resume o sistema de Chigalióv em imagens de crueldade antes de dispensá-lo como obra de ourives:

Цицерону отрезывается язык, Копернику выкалывают глаза, Шекспир побивается каменьями — вот шигалевщина!, a Cícero cortam a língua, a Copérnico furam os olhos, Shakespeare é apedrejado: eis o chigaliovismo!
Segunda Parte: O sistema de Chigalióv

Depois expõe o plano que importa: soltar incêndios e lendas até que a Rússia se turve, e então mostrar Ivan Czariêvitch, que não precisa fazer nada, porque se oculta:

Мы скажем, что он «скрывается», diremos que ele «se oculta».
Segunda Parte: O sistema de Chigalióv

Quando Stavróguin pergunta para quê, ele perde a calma e diz o que o move:

Я вас с заграницы выдумал; выдумал, на вас же глядя. Если бы не глядел я на вас из угла, не пришло бы мне ничего в голову!.., eu o inventei no estrangeiro, olhando para você mesmo. Se eu não tivesse olhado para você de um canto, nada me teria vindo à cabeça!..
Segunda Parte: O sistema de Chigalióv

Joseph Frank lê o fascínio como paixão estética e não só como cálculo, ligada à reação de Dostoiévski ao incêndio das Tulherias.

E acha em Bakúnin o método que Piotr repete, a violência como corpo e a falsidade como alma:

para fundar uma organização séria e indestrutível, é preciso tomar como base a tática de Maquiavel e adotar totalmente o sistema dos jesuítas - violência como corpo, falsidade como alma.
Joseph Frank

No capítulo X da Segunda Parte entra correndo no salão da governadora para gritar que estão estragando o seu velho. No capítulo II da Terceira Parte, a Yúlia Mikháilovna em lágrimas, reparte culpas para dissolver a ideia de conspiração e diz que o que falta à sociedade é iniciativa para conter os travessos:

А что у нас делают отцы семейств, сановники, жены, девы в подобных обстоятельствах? Молчат и дуются. Даже настолько, чтобы шалунов сдержать, общественной инициативы недостает, e o que fazem entre nós os pais de família, os dignatários, as esposas, as moças em tais circunstâncias? Calam-se e emburram. Falta até a iniciativa social necessária para conter os travessos.
Terceira Parte: A festa e o incêndio

Dá a notícia da fuga de Lizavieta Nikoláievna como se todos já a soubessem, o que o cronista estranha. No capítulo III da Terceira Parte, na antessala de Skvoriéchniki, diante de Stavróguin, jura que não mandou matar os Lebiádkin, que a ideia lhe passou pela cabeça mas que foi Stavróguin quem a insinuou, e assume o que lhe pertence:

ну да, у меня уже давно эта идейка об огне созревала, так как она столь народна и популярна; но ведь я берег ее на критический час, на то драгоценное мгновение, pois é, essa ideiazinha do fogo já amadurecia em mim havia muito tempo, porque é tão do povo e tão popular; mas eu a guardava para a hora crítica, para aquele momento precioso.
Terceira Parte: A festa e o incêndio

E diz o que a sua organização não aguenta:

тут нужна одна великолепная, кумирная, деспотическая воля, опирающаяся на нечто не случайное и вне стоящее… Тогда и пятерки подожмут хвосты повиновения и с подобострастием пригодятся при случае, o que é preciso aqui é uma só vontade magnífica, de ídolo, despótica, apoiada em algo que não seja acidental e esteja fora… Então os quintetos encolherão o rabo da obediência e, com servilismo, serão úteis na ocasião.
Terceira Parte: A festa e o incêndio

Saca o revólver duas vezes e, na segunda, ouve de Stavróguin que atire. Corre atrás de Liza, que acaba de ouvir de Stavróguin o que ele sabia e não deteve, e, com a história da ladja furada, a faz saber que Mavrikii Nikoláievitch a espera junto à grade desde a noite; ela foge pelo campo e ele recua para o portão.

No capítulo IV da Terceira Parte, no dia seguinte, na casa de Gagánov, apresenta-se como confidente de Yúlia Mikháilovna enganado por ela; ao saber que Stavróguin partiu para Petersburgo, pergunta quem pôde deixá-lo sair. À noite, em casa do alferes Erkel, encontra o quinteto rebelado, vira o jogo (com que direito incendiaram a cidade sem licença?) e anuncia uma denúncia que nunca viu:

Он всё налгал, что говорил нашим о доносе: никогда он не видал этого доноса и не слыхал о нем, но был уверен в нем как дважды два, ele mentiu em tudo o que disse aos nossos sobre a denúncia: nunca tinha visto essa denúncia nem ouvido falar dela, mas estava certo dela como de dois e dois.
Terceira Parte: A última decisão

Os cinco cedem em dez minutos, o que o cronista descreve como moscas na teia de uma aranha enorme:

Чувствовали, что вдруг как мухи попали в паутину к огромному пауку; злились, но тряслись от страху, sentiam que de repente tinham caído, como moscas, na teia de uma aranha enorme; irritavam-se, mas tremiam de medo.
Terceira Parte: A última decisão

Com Lipútin ao lado, janta um bife enquanto o outro o odeia, vai à casa de Kiríllov, ouve de Fiedka que a promessa de dinheiro não foi cumprida, é derrubado a socos e ameaça Kiríllov de enforcá-lo como uma mosca se fugir. Predisse a Lipútin que Fiedka não beberia mais vodca, e a profecia se cumpre. No capítulo V da Terceira Parte faz Erkel avisar Chátov de que está dispensado da sociedade e de que ele, Piotr, parte no dia seguinte às onze da manhã; parte, na verdade, às seis. No capítulo VI da Terceira Parte, no parque dos Stavróguin, Virguinski diz que Chátov, feliz, não denunciará, e Piotr devolve a pergunta que ele acabou de responder:

Шатов считает этот донос своим гражданским подвигом, самым высшим своим убеждением [...] Никакое счастье не победит; через день опомнится, укоряя себя, пойдет и исполнит, Chátov considera essa denúncia o seu feito cívico, a sua convicção mais alta [...] Nenhuma felicidade o vencerá; dentro de um dia ele recobra o juízo, recrimina-se, vai e cumpre.
Terceira Parte: A última decisão

Chigalióv se retira, dizendo que o crime contradiz o programa dele, e Piotr arma o revólver e o chama de senhor Fourier. É ele quem atira em Chátov, apontando firme à testa, revista os bolsos do morto e prende as pedras ao cadáver. Quando Virguinski grita que não é isso, e Liámchin guincha como bicho, Piotr olha Liámchin com espanto: tinha pensado dele algo bem diferente. Dirige-se aos que gritaram:

Останемся только мы, заранее предназначившие себя для приема власти: умных приобщим к себе, а на глупцах поедем верхом. Этого вы не должны конфузиться. Надо перевоспитать поколение, чтобы сделать достойным свободы, ficaremos só nós, que de antemão nos destinamos a receber o poder: os inteligentes, juntaremos a nós; os tolos, cavalgaremos. Disso vocês não devem se envergonhar. É preciso reeducar a geração para torná-la digna da liberdade.
Terceira Parte: A última decisão

Lipútin o alcança no caminho e pergunta se há um só quinteto ou mil:

Глупый вы человек! Ведь уж теперь-то, кажется, вам всё бы равно — одна пятерка или тысяча. — Значит, одна! Так я и знал! — вскричал Липутин. — Я всё время знал, что одна, до самых этих пор, que homem tolo o senhor é! A esta altura, ao que parece, tanto lhe faria um quinteto ou mil. Então é um só! Eu sabia! exclamou Lipútin. Eu soube o tempo todo que era um só, até agora.
Terceira Parte: A última decisão

À uma da madrugada vai a Kiríllov, come a galinha que ele deixou intacta sem tirar os olhos dele, discute o ato, dita a nota e, quando Kiríllov lhe morde o dedo, golpeia-o três vezes com o revólver e foge, e só volta ao ouvir o tiro, para conferir o cadáver e fechar a passagem de Fiedka. Às seis menos dez, na estação, deixa a Erkel as instruções e muda de vagão para jogar cartas, estendendo a mão pela janela: Erkel nunca mais o vê. Chegada a ordem de prendê-lo, três dias depois, ele já estava em Petersburgo sob nome falso e escorregou para o exterior. No capítulo VIII da Terceira Parte Liámchin entrega às autoridades um programa impresso e um rascunho de próprio punho dele, e três meses depois, no clube, há quem trate Piotr quase como um gênio.

Temas que encarna

Piotr é a Revolução sem convicção, e por isso a Verdade e mentira posta em método: nada do que diz vale por ser verdadeiro, vale pela utilidade, e a utilidade muda com o ouvinte. A mesma conspiração tem sete pessoas diante de Lembke (capítulo VI da Segunda Parte), uma rede que cobre a Rússia diante de Lipútin e da sala de Virguinski (capítulo VII da Segunda Parte), e um só quinteto no fim, quando já não importa (capítulo VI da Terceira Parte). Seus símbolos são o incêndio de Zariétchie, que ele guardava para a hora crítica (capítulo III da Terceira Parte), e os folhetos, que serve para fazer Kiríllov assumir a morte de Chátov (capítulo VI da Terceira Parte). E é filho: a Família é a primeira coisa que o livro lhe dá, e a pergunta se é ou não filho de Stiepan Trofímovitch lhe volta no capítulo IV da Segunda Parte como piada.

O mecanismo que ele opera não é a força, é a adesão, e o livro o mostra em três momentos. Primeiro aproveita a vontade de aparecer de Yúlia Mikháilovna, a leviandade da cidade e a vaidade do quinteto (capítulo IV da Segunda Parte, capítulo VII da Segunda Parte). Depois dá a cada um a pontinha da verdade que o prende: a Chátov, um convite que o isola; a Lembke, uma conspiração pequena; a Virguinski, uma pergunta que ele responde sozinho (capítulo VI da Segunda Parte, capítulo VI da Terceira Parte). Por fim, quando a organização falha por dentro, ele já está na estação (capítulo VI da Terceira Parte). Quem sai impune no romance é quem soube partir antes, e o livro não castiga o oportunista; só mostra o que ele deixou atrás.

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