Clavis Libri

Personagem

Lobo Neves

Quem é

Marido de Virgília e rival de Brás Cubas em Memórias Póstumas de Brás Cubas, que lhe toma a noiva e a candidatura em poucas semanas. Ambicioso declarado, deputado e orador, quer a glória pública e promete à mulher o título de marquesa. É também o homem que Brás não consegue ler, pálido e quieto diante da suspeita, e a quem concede, no meio da traição, uma camada de rocha de dignidade.

Trajetória

Brás diz que ele não era mais esbelto, elegante, lido nem simpático do que ele, e ainda assim o vê tomar a noiva e a candidatura; a Virgília, que lhe pergunta quando será ministro e se a fará baronesa, responde que a fará marquesa (capítulo XLIII). Brás passa a medir-se por ele e pergunta-se por que não seria melhor deputado e melhor marquês (capítulo XLVII).

Reaparece casado com Virgília e elogia Brás pelos escritos políticos, no baile em que os dois valsam (capítulo L). Diz a Brás que adora a mulher e aos poucos lhe confessa a triste carcoma da existência, a falta de glória pública; pede segredo e, quando entram dois deputados e um chefe político, recebe-os com alegria (capítulo LVIII). Chega em casa e beija o filho, convida Brás a jantar, e o jantar é o de um homem placidamente superior (capítulo LXIII). A caixa de charutos que alerta Brás vem em nome dele (capítulo LXVII).

Anuncia que talvez ocupe uma presidência de província, dá a coisa por definitiva e pede à mulher que não ponha um peso nas asas da ambição (capítulo LXXVIII).

Dirás que sou ambicioso? Sou-o deveras, mas é preciso que me não ponhas um peso nas asas da ambição
Capítulos LXXVII a LXXXVII: A presidência e o cimo da montanha

Convida Brás a ir como secretário, e Brás procura nele um pensamento oculto sem achar (capítulo LXXX). Recusa a presidência porque o decreto é de 13, número ligado à morte dos pais dele; não diz o motivo a Brás, anda dividido entre a ambição e a dúvida sobre a própria superstição e, como o ministro não crê em motivos particulares, passa à oposição (capítulo LXXXIII, capítulo LXXXIV).

O pai morreu num dia 13, treze dias depois de um jantar em que havia treze pessoas. A casa em que morrera a mãe tinha o n.° 13
Capítulos LXXVII a LXXXVII: A presidência e o cimo da montanha

Brás lhe reconhece uma dignidade fundamental, uma camada de rocha que a vida não levou (capítulo LXXXVII).

havia no Lobo Neves certa dignidade fundamental, uma camada de rocha, que resistia ao comércio dos homens. As outras, as camadas de cima, terra solta e areia, levou-lhas a vida, que é um enxurro perpétuo
Capítulos LXXVII a LXXXVII: A presidência e o cimo da montanha

Recebe a carta anônima que denuncia a mulher e Brás, e Virgília a chama de calúnia diante dele (capítulo XCVI). No teatro trata Brás primeiro com frieza e depois com afabilidade (capítulo XCIX) e, quatro meses depois, reconcilia-se com o ministério (capítulo C). Ao chegar de repente à casa da Gamboa, fica pálido, frio, quieto, sem explosão (capítulo CIV), e o bilhete de Virgília diz que ele está sério e calado, e que sorriu uma vez, para o filho, depois de fitá-lo muito tempo, carrancudo (capítulo CVII).

É nomeado presidente de província com decreto de 31, e a transposição dos algarismos tira do número a substância diabólica (capítulo CX). Brás o encontra na Rua do Ouvidor e julga que ele tem medo da opinião, e não dele (capítulo CXII). Diz à mulher que a ausência será só até as eleições (capítulo CXIV). Mais tarde é o orador que Brás ouve na Câmara (capítulo CXXVIII, capítulo CXXIX). Morre quando ia ser ministro, e Brás confessa o alívio (capítulo CL).

Temas que encarna

Os temas que passam por ele são Ambição e Aparência e realidade.

Ambição: quer a glória pública e sacrifica uma presidência a um número em que nem ele acredita por inteiro (capítulo LVIII, capítulo LXXXIV).

Aparência e realidade: recebe os visitantes com a alegria de quem é o mais afortunado dos homens, e o leitor pode ver nessa alegria uma máscara de que Brás também precisa (capítulo LVIII).

Lobo Neves aparece quase sempre pelo olhar de Brás, e por isso o livro deixa em aberto o que ele sabe: a calma do capítulo CIV pode ser a de quem nada percebeu ou a de quem se controla, e o freio que Brás lhe atribui, a opinião, é uma hipótese que poupa o amante (capítulo CXII). O que o texto afirma é que a ambição continua de pé, pois o homem volta a ser nomeado presidente depois de recusar a primeira presidência (capítulo CX).

Relações

  • Virgília: a mulher que ele adora e a quem promete o título de marquesa.
  • Brás Cubas: o confidente e o secretário convidado, que é também o amante da mulher.
  • Dona Plácida: a velha que fecha a rótula ao vê-lo chegar à casa da Gamboa.