Quem é
Filha de Damasceno, escolhida por Sabina para casar com Brás Cubas em Memórias Póstumas de Brás Cubas, moça de olhos soberbos e voz mimosa. O livro a mostra por um apelido, Nhã-loló, e só a lápide dá o nome, D. Eulália Damascena de Brito, e a idade, dezenove anos. Morre na primeira entrada da febre amarela, antes do casamento.
Trajetória
Damasceno traz a Brás um convite para jantar e, em cinco minutos, despeja política, teatro e a voz da filha (capítulo XCII). No jantar, Sabina a senta ao lado de Brás; ele registra os olhos soberbos e o canto (capítulo XCIII), e no teatro a acha mais bonita e elogia a roupa (capítulo XCVIII). A candidatura dela é conduzida por Sabina com ímpeto (capítulo CXVII).
Ao descer com Brás o morro do Livramento depois da missa, vê o pai absorvido por uma briga de galos; leva Brás embora, e ao pé do morro os dois esperam o pai, que chega cercado de apostadores, com Nhã-loló vexadíssima (capítulo CXXI). Vexa-se do pai e se esforça por mascarar a inferioridade da família; Brás lê nisso a intenção de separar a causa dela da do pai e resolve arrancá-la daquele meio (capítulo CXXII).
vou arrancar esta flor a este pântano
Cotrim, o tio, não opina sobre o casamento, porque louvar a sobrinha pareceria interesse (capítulo CXXIII). Dois capítulos adiante, o livro traz só o epitáfio dela (capítulo CXXV).
AQUI JAZ / D. EULÁLIA DAMASCENA DE BRITO / MORTA / AOS DEZENOVE ANOS DE IDADE / ORAI POR ELA!
Morre na primeira entrada da febre amarela; Brás a acompanha ao jazigo sem lágrimas e conclui que talvez não a amasse deveras, e Damasceno se queixa de que, de oitenta convites, só doze pessoas foram ao enterro (capítulo CXXVI).
Temas que encarna
Os temas que passam por ela são Aparência e realidade e Morte.
Aparência e realidade: a vergonha do pai e o esforço de mascarar a inferioridade da família fazem dela a moça que tenta parecer outra para ser aceita (capítulo CXXII).
Morte: a morte chega seca, por um epitáfio sem narração e por uma dúvida de Brás sobre o próprio sentimento (capítulo CXXV, capítulo CXXVI).
O que se sabe do sentimento de Nhã-loló vem de Brás, que lê a vergonha dela como afinidade com ele. O capítulo CXXII sustenta duas leituras, a de uma vergonha verdadeira e a de um salvador à procura de uma moça que lhe deva ter saído do pântano.
Relações
- Brás Cubas: o noivo que a acha bonita, a arranca do pântano e não a chora.
- Sabina: a irmã de Brás, que decide o casamento.
- Cotrim: o tio que não opina.
- Quincas Borba: o filósofo que lê a morte dela como serviço da epidemia à espécie.