«Com Tíkhon» é o capítulo em que Stavróguin leva a um bispo aposentado, num mosteiro da cidade, a confissão escrita de um crime que cometeu em Petersburgo contra uma menina, e que pretende imprimir e distribuir. Foi suprimido porque o editor do Mensageiro Russo, a revista que publicava o romance em folhetim, o recusou por demasiado realista; o texto só veio a público em 1922.
Dostoiévski tentou refazê-lo várias vezes sem se afastar do essencial. Queria o capítulo logo depois do capítulo VIII da Segunda Parte, na mesma manhã das cenas seguintes. Como ficou fora da revista, as edições costumam trazê-lo como apêndice, no fim, e o leitor pode lê-lo ali ou no meio. No lugar pretendido, ele muda o que vem depois: Stavróguin acabara de ouvir de Piotr o plano de fazê-lo Ivan Czariêvitch, um chefe que se oculta, e na manhã seguinte entrega a Tíkhon o contrário, uma confissão feita para ser vista por todos.
A conversa é um duelo de franqueza. Tíkhon lê durante uma hora, diz que não há crime maior, mas aponta um defeito de tom: é como se Stavróguin quisesse, de propósito, mostrar-se mais grosseiro do que desejaria o seu coração. Nomeia o risco que ele não mediu, o riso dos leitores, propõe no lugar da publicação uma obediência longa e secreta, e, diante da recusa, prevê que ele cometerá outro crime para não ter de confessar. Quando Stavróguin diz querer ser perdoado por poucos e odiado por todos, Tíkhon lhe responde que pecado isolado não existe.
O capítulo trata do abuso de uma menina; aqui basta saber isso. O que importa para entender o livro é o julgamento de Tíkhon. Sem ele, o personagem central do romance não tem fundo.