Chátov é o discípulo de Stavróguin que crê que só o povo russo é o povo que carrega Deus. Nasceu servo de Varvara Pietrovna, foi aluno de Stiepan Trofímovitch, e é morto pelo quinteto de Piotr no parque dos Stavróguin.
Foi expulso da universidade, casou em Genebra com Marie e a perdeu em três semanas, foi à América com Kiríllov, voltou pobre e vive no andar de cima da casa de Filíppov. Mudou de ideias no exterior e saltou para o extremo oposto. Diz a Stiepan que a geração dele nunca amou o povo porque não o conhecia: não se pode amar o que não se conhece, e quem não tem povo não tem Deus.
Na noite da Segunda Parte, despeja a Stavróguin a doutrina completa: nenhum povo se organizou pela ciência e pela razão, cada povo vive pela busca de um deus próprio, e Deus é a personalidade sintética de todo o povo, tomado do começo ao fim. O povo, diz, é o corpo de Deus. Stavróguin observa que ele rebaixa Deus a atributo da nação; Chátov responde que, ao contrário, eleva o povo a Deus.
Perguntado diretamente se crê em Deus, Chátov responde com uma cadeia de “creio”: na Rússia, na ortodoxia dela, no corpo de Cristo, numa nova vinda que acontecerá na Rússia. E só consegue dizer que vai crer em Deus. Teologia inteira do povo, sem o passo pessoal que ela pressupõe: é a confissão mais despida do livro.