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Perguntas · Dom Quixote

Dom Quixote é difícil de ler? Vale a pena ler?

Dom Quixote é longo, mas não é difícil de entender: a dificuldade é de tamanho e de ritmo, não de enredo. Vale a pena porque o livro funciona em camadas, que se leem pelo riso, pela pergunta sobre o que é real ou pelo modo como o autor discute o próprio livro.

O tamanho é o primeiro obstáculo: cerca de 1.200 páginas numa edição comum, em duas partes, com 126 capítulos numerados e um prólogo em cada parte. Os capítulos são desiguais, de duas ou três páginas a mais de vinte, e quase todos contam uma cena: uma estalagem, uma estrada, um castelo. Quem lê um capítulo por dia avança bem, e o cronograma de leitura divide o livro em 16 semanas, a cerca de 11 páginas por dia.

O que mais cansa são as novelas encaixadas na Primeira Parte, sobretudo o Curioso Impertinente, nos capítulos XXXIII a XXXV, e a história do cativo, nos capítulos XXXIX a XLI, que afastam o fidalgo por vários capítulos. A Segunda Parte é mais contínua, porque o autor diz no capítulo XLIV que preferiu episódios nascidos dos mesmos sucessos a novelas soltas. Os títulos que Cervantes deu aos capítulos são longos e às vezes enganam, de modo que convém não confiar neles para saber o que se passa.

Carpeaux escreve que o livro terá sempre dois tipos de leitores, as crianças, que ainda não conhecem a vida, e os adultos, duramente experimentados por ela. Quem lê pelo riso encontra uma comédia de pancadas e equívocos; quem relê encontra a pergunta de quem decide o que a cena é e um final que não se resolve nem em riso nem em tragédia.

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