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Perguntas · Dom Quixote

Que doença ou condição mental Dom Quixote tinha?

O livro não dá nome de doença. O que o texto diz, logo no capítulo I, é que o fidalgo, do pouco dormir e do muito ler, teve o cérebro ressecado e perdeu o juízo; o resto são observações de quem o cerca, e nenhuma é diagnóstico.

O narrador dá a causa: noites e dias de leitura de livros de cavalaria, até ele tomar aquelas invenções por verdade e decidir viver como os cavaleiros. A loucura tem objeto e método. Ele a exerce com firmeza, tem uma explicação pronta para cada desmentido, um mago inimigo que troca gigantes por moinhos, e na Serra Morena faz a penitência de Beltenebros sem motivo, de propósito, porque quer imitar Amadis.

Quem o encontra lhe dá nomes diferentes. O fidalgo dom Lorenzo, filho de dom Diego de Miranda, o chama de um louco entremeado, cheio de lúcidos intervalos; o eclesiástico da mesa dos duques o chama de tolo; o bacharel Sansão Carrasco quer curá-lo; o escudeiro Tomé Cecial pergunta qual louco é mais louco, o que o é por não poder menos ou o que o é por sua vontade, e o bacharel responde que o primeiro o será sempre, e o segundo deixará de sê-lo quando quiser.

No fim, ao acordar de uma febre, o próprio fidalgo diz que tem juízo livre e claro, sem as sombras da ignorância que sobre ele puseram a leitura amarga e contínua dos detestáveis livros de cavalaria. Pede que a morte não confirme a fama de louco, porque, ainda que o tenha sido, não queria confirmá-la. O livro não o diagnostica; deixa a pergunta de quem decide quando alguém é louco.

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