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Perguntas · Dom Quixote

Por que Dom Quixote morre?

Ninguém mata dom Quixote: ele adoece em casa, recobra o juízo e morre na cama, no capítulo LXXIV da Segunda Parte, como Alonso Quijano, o Bom. O narrador diz que a febre veio ou pela melancolia que lhe causava ver-se vencido, ou por disposição do céu, e o médico conclui que melancolias e dissabores o acabam.

A derrota é a antecâmara. Na praia de Barcelona, o Cavaleiro da Lua Branca o derruba e lhe impõe um ano de retiro sem armas; era o bacharel Sansão Carrasco, que armou o duelo para curá-lo. Na aldeia, o fidalgo cai de cama, e depois de dormir mais de seis horas acorda dizendo que tem o juízo livre e claro, que já conhece os disparates dos livros de cavalaria e que só lamenta o desengano ter chegado tão tarde.

Ele pede confissão e testamento, quer que a morte não confirme a fama de louco e anuncia aos amigos que já não é dom Quixote de la Mancha, mas Alonso Quijano, a quem os costumes deram renome de Bom, e que é inimigo de Amadis de Gaula. Sancho, chorando, pede que viva e vá ao campo vestido de pastor; o fidalgo responde que nos ninhos de antanho já não há pássaros de hoje. Deixa legados, pede perdão a Sancho e ao autor do livro falso, e morre depois de receber os sacramentos.

O escrivão diz que nunca leu num livro de cavalaria que um cavaleiro andante tivesse morrido no leito tão sossegado e tão cristão. O padre pede o testemunho da morte natural para que nenhum outro autor, que não Cide Hamete, o ressuscite. Para uma leitura, o livro muda de tom como uma sinfonia, da ironia ao amargo, até um final tristíssimo; para Auerbach, não há ali tragédia a ler.

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