La Mancha é a região da Espanha central onde o livro começa, e o fidalgo a leva no nome: «dom Quixote de la Mancha» é o nome que ele escolhe para si, imitando os cavaleiros dos livros, que juntam ao nome o da sua pátria.
O capítulo I explica a escolha. Amadis, diz o narrador, não se contentou em chamar-se Amadis a secas, e acrescentou o nome do seu reino e pátria, Gaula; assim o fidalgo, como bom cavaleiro, quis juntar ao seu o nome da sua e chamar-se dom Quixote de la Mancha, com que, a seu ver, declarava muito ao vivo sua linhagem e pátria e a honrava ao tomar o sobrenome dela. O narrador, por seu lado, abre o livro dizendo que o fidalgo vivia «num lugar da Mancha, de cujo nome não desejo me lembrar», e nunca diz qual.
A região entra no livro por onde ele passa. O Toboso, terra de Dulcineia, é, nas palavras do fidalgo, «um lugar da Mancha» (capítulo XIII da Primeira Parte), e as lagoas de Ruidera, que Sancho e o amo veem em La Mancha, servem de medida quando os dois veem o mar pela primeira vez, em Barcelona.
O silêncio do narrador tem seu fecho no último capítulo da Segunda Parte. Cide Hamete diz que não quis pôr pontualmente o lugar do fidalgo, para que todas as vilas e lugares da Mancha disputassem entre si o direito de tê-lo por seu, como as sete cidades da Grécia disputaram Homero. O nome da região é, assim, tudo o que o livro dá de pátria ao herói.