Aproximar duas coisas diferentes com uma palavra explícita, como "como", "tal qual" ou "parece". Ao contrário da metáfora, a comparação deixa à vista que são duas coisas.
Em Os Demônios
Os cabelos dele eram pretos demais, os olhos claros tranquilos e límpidos demais, a tez delicada e branca demais, o rubor vivo e puro demais, dentes como pérolas, lábios como corais: parecia um belo de pintura e, ao mesmo tempo, como que repugnante. Diziam que o rosto lembrava uma máscara.
Os dentes “como pérolas” e os lábios “como corais” trocam carne por joias, coisas duras e polidas. A comparação prepara o fecho, em que o rosto inteiro passa a lembrar uma máscara.
Primeira Parte: O pai dos demônios, o cronista, sobre Nikolai Stavróguin
Quando vi a tua cara baixa, na hora em que caí e você me apanhou, foi como se um verme me entrasse no coração: não é ele, pensei, não é ele! O meu falcão nunca teria vergonha de mim diante de uma moça da sociedade!
Segunda Parte: A noite dos credores, Mária Timofêievna
Sentiam que de repente tinham caído, como moscas, na teia de uma aranha enorme; irritavam-se, mas tremiam de medo.
Terceira Parte: A última decisão, o cronista, sobre o quinteto
Sei que devia me matar, varrer-me da terra como um inseto vil; mas tenho medo do suicídio, porque temo mostrar magnanimidade. Sei que isso seria ainda um engano, o último engano.
Terceira Parte: A última errância, Stavróguin, em carta a Dária Pávlovna
Assinatura
A explicação de cada passagem, em todos os recursos e em todas as obras, está na assinatura.