Comece pelo começo, na ordem, sem pular o prefácio nem o Livro I. Os Irmãos Karamázov não é o ponto de partida mais fácil para quem nunca leu Dostoiévski, mas quem decide começar por ele pode fazê-lo desde que não troque a ordem dos livros.
O Livro I é lento de propósito. É pré-história contada por um cronista: dois casamentos, três filhos criados por outras mãos, e o mosteiro onde o mais novo vai morar. É nele que o narrador define o herói, a família e o stáriets, e quem o pula chega ao escândalo da cela sem saber quem é cada um. O livro pega de verdade no Livro II, com a reunião na cela, e não solta mais.
Se prefere uma porta de entrada mais curta, os outros romances do autor servem melhor: Noites Brancas, Memórias do Subsolo ou Crime e Castigo. Eles trazem, em tamanho menor, a culpa, a vergonha e a ideia que vira ato, que Os Irmãos Karamázov desenvolve em escala maior.
Um bom plano é o cronograma de 12 semanas, a cerca de 11 páginas por dia, que corta em fim de capítulo. Duas coisas ajudam: guardar os nomes dos três irmãos e de Smierdiakóv, e ler o Livro V, o do Grande Inquisidor, sem pressa. É nele que está o capítulo que muita gente conhece de fora do livro, e que o Livro VI responde.