Mítia é condenado porque tudo o que o tribunal pode verificar aponta para ele, e porque a única verdade que o salvaria só chega ao tribunal como delírio de um doente. O título do Livro XII chama isso de erro judiciário.
Contra ele estão a porta aberta que Grigori jura ter visto, o pilão achado na trilha, o dinheiro de origem escondida, as ameaças feitas diante de testemunhas, o sangue nas mãos, a carta bêbada da taverna e um ódio confessado. O promotor lê tudo como um programa e o expõe com a ideia de que os Karamázov são capazes de contemplar ao mesmo tempo os dois abismos. O advogado responde com a tese de que há uma esmagadora soma de fatos contra o réu e nenhum que resista à crítica, e com uma defesa que, ao fim, pede misericórdia.
Os dois discursos explicam o mesmo crime com os mesmos fatos, e nenhum ouve o que Mítia diz de si. A prova que viria de Ivan, o dinheiro entregue por Smierdiakóv, é descartada, porque Ivan tem febre e fala do diabo. Os jurados, que as damas julgavam incapazes de tanta sutileza, respondem culpado em todos os pontos, sem a menor indulgência.
Mítia, por sua vez, grita que desse sangue não é culpado; que quis matar, mas não matou. O tribunal tem categorias para culpado e para inocente, e nenhuma para um homem que é as duas coisas por inteiro.