Clavis Libri

Tema em A Montanha Mágica

Formação

O caminho de alguém da inocência à experiência: infância, juventude, educação, iniciação, o romance de formação, o jovem que vira adulto ou que não consegue virar.

O tema na obra

O capítulo II mostra o que Hans Castorp leva consigo quando sobe. Órfão, criado em Hamburgo na casa do tio-avô Tienappel, ganha os hábitos de um burguês da cidade portuária, e a profissão de engenheiro naval lhe vem de uma sugestão do velho Wilms à mesa de uíste do cônsul. O narrador interrompe a biografia para dizer que a época dele não responde à pergunta "para quê?" e que o rapaz não tinha nem o isolamento heroico nem a vitalidade robusta que suprem essa falta.

No capítulo V começa outra educação. De cama, Hans Castorp ouve Lodovico Settembrini compará-lo a um frade que terminou o noviciado; no apartamento do Dr. Behrens, leva a conversa do retrato de Clawdia Chauchat à pergunta sobre o que é o corpo; nas noites de inverno, na sacada, lê sozinho livros de anatomia, fisiologia e embriologia que comprou por conta própria. Settembrini o aconselha a partir e lhe oferece a régua do humanismo, e Hans Castorp lhe devolve o conselho.

No capítulo VI os mestres passam a ser dois. Leo Naphta entra em cena, e Hans Castorp ouve os dois pedagogos discutirem diante dele. Diz aos dois que a espreguiçadeira lhe deu, em dez meses, mais ideias do que a planície em todos os anos passados, e recusa a Joachim Ziemssen a separação entre ficar mais inteligente e melhorar de saúde. Na Neve, sozinho, recusa os dois mestres, formula a frase que nenhum deles alcança no capítulo, e à noite já não a entende muito bem.

É um romance de formação em que o formando não tem vocação e os mestres não se entendem. O que forma Hans Castorp não é nenhum dos pedagogos: é o que ele estuda por conta própria e o que a montanha lhe impõe, da radiografia à tempestade de neve. O ponto alto dessa formação é uma lição que ele mesmo se dá e não consegue reter, e o livro não esconde o preço: o aluno aprende de verdade uma vez, e esquece.

Onde aparece

Passagens

A profissão chega como sugestão alheia, não como vocação.

O velho Wilms, da casa Tunder & Wilms, decide por ele, e é dessa frase que sai a carreira de engenheiro naval. Hans Castorp deveria estudar engenharia naval, isso sim seria uma ideia, então ele poderia entrar na minha firma, e eu cuidaria do rapaz
Capítulo II: A pia batismal e as duas figuras do avô

Na casa de Behrens, a pergunta de fundo é do aluno, e não do médico.

É Hans Castorp quem conduz Behrens da pele até a linfa, e é dele, impetuoso, a pergunta de fundo. Que é o corpo? [...] Que é a carne? Que é o organismo humano? De que se compõe?
Capítulo V: Humaniora, a análise e a Noite de Walpurgis

Entre os dois mestres, Hans Castorp fala da própria experiência.

Quando os dois passam à cama do monge, símbolo do isolamento contemplativo, Hans Castorp se mete na conversa e fala da própria experiência: a espreguiçadeira lhe deu mais ideias do que a planície em todos os anos passados. É o primeiro lance do aprendiz entre os dois mestres, e ele os toma pelo que lhe serve. a cama, ou melhor, a espreguiçadeira me fez progredir muito nos últimos dez meses e me proporcionou mais ideias do que o moinho, na planície, no curso de todos os anos passados.
Capítulo VI: Naphta, a Neve e a morte de Joachim

Na Neve, o aluno recusa os dois de uma vez.

No mesmo devaneio, pouco antes dessa frase, Hans Castorp escolhe os jovens corteses do golfo sonhado e recusa os dois mestres de uma vez. Quero, com toda a minha alma, aderir a eles e não a Naphta, tampouco a Settembrini. Ambos são charlatães.
Capítulo VI: Naphta, a Neve e a morte de Joachim

E a lição se apaga na mesma noite.

O que sonhara estava em vias de se apagar. E o que pensara, naquela mesma noite já não o entendia muito bem.
Capítulo VI: Naphta, a Neve e a morte de Joachim