Dizer uma coisa por meio de outra, sem palavra de comparação: em vez de dizer que algo é como outra coisa, diz-se que é. A imagem transfere para o assunto as qualidades da coisa com que foi identificado.
Em Paraíso
a água que tomo nunca foi percorrida; Minerva sopra, e Apolo me conduz, e nove Musas me mostram as Ursas
A poesia vira navegação: a «água que tomo» é o assunto novo, e as Musas mostram «as Ursas» como estrelas de rota. A imagem organiza todo o aviso ao leitor, que passa a ser passageiro de uma barca, não ouvinte de um canto.
Cantos I a IV: A Lua, Dante, narrador, no aviso ao leitor que abre o canto II
irmão, a nossa vontade é aquietada pela virtude da caridade, que nos faz querer só o que temos e de outra coisa não nos dá sede
Cantos I a IV: A Lua, Piccarda, a Dante, no céu da Lua
ficou-me claro então como em toda parte do céu é paraíso, embora a graça do sumo bem não chova ali de um só modo
Cantos I a IV: A Lua, Dante, narrador, depois de ouvir Piccarda
nasce por isso, à maneira de rebento, a dúvida ao pé do verdadeiro; e é natureza que nos empurra ao cimo de colina em colina
Cantos I a IV: A Lua, Dante, a Beatriz, explicando por que pergunta
fizeste-me alegre, e assim me faz claro, pois, falando, me moveste a duvidar como pode, de doce semente, vir amargo
Cantos V a VIII: Mercúrio e Vênus, Dante, a Carlos Martel, formulando a dúvida sobre a linhagem
a tua cidade, que é planta daquele que primeiro voltou as costas ao seu Criador e de quem tanto se chora a inveja, produz e espalha a flor maldita que desviou as ovelhas e os cordeiros, porque fez do pastor um lobo
Cantos IX a XII: Vênus e o Sol, Folquet de Marselha, a Dante, sobre Florença
agora fica, leitor, no teu banco, ruminando o que apenas se provou, se queres ser alegre muito antes de cansado
Cantos IX a XII: Vênus e o Sol, Dante, narrador, ao entrar no céu do Sol
e que isto te seja sempre chumbo nos pés, para te fazer mover lento como homem cansado, tanto ao sim como ao não que não vês
Cantos XIII a XVI: O Sol e Marte, Tomás de Aquino, a Dante, depois de explicar a medida de Salomão
ó fronde minha, em quem me comprazi só de esperar, eu fui a tua raiz: tal princípio, respondendo, me fez
Cantos XIII a XVI: O Sol e Marte, Cacciaguida, a Dante, respondendo ao pedido do nome
mas, ainda assim, afastada toda mentira, torna manifesta toda a tua visão; e deixa coçar onde está a sarna. Pois, se a tua voz for molesta ao primeiro gosto, deixará depois alimento vital, quando for digerida
Cantos XVII a XX: A profecia e a Águia, Cacciaguida, a Dante, sobre o que ele deve escrever
o canteiro que nos faz tão ferozes, enquanto eu girava com os Gêmeos eternos, apareceu-me todo, das colinas às fozes
por que o meu rosto tanto te enamora que não te voltas para o belo jardim que floresce sob os raios de Cristo? Ali está a rosa em que o Verbo divino se fez carne; ali estão os lírios, ao cujo odor se tomou o bom caminho
Cantos XXI a XXIV: Saturno e as estrelas fixas, Beatriz, a Dante, no triunfo de Cristo
por isso a pena salta e eu não o escrevo: pois a nossa imaginação, não só a fala, é cor demasiado viva para tais dobras
Cantos XXI a XXIV: Saturno e as estrelas fixas, Dante, narrador, sem escrever o canto de Pedro
a larga chuva do Espírito Santo, que se derrama sobre os pergaminhos velhos e sobre os novos, é o silogismo que a concluiu em mim tão agudamente que, perante ela, toda demonstração me parece obtusa
Cantos XXI a XXIV: Saturno e as estrelas fixas, Dante, a São Pedro, explicando de onde lhe veio a fé
vença a crueldade que me fecha para fora do belo redil onde dormi cordeiro, inimigo dos lobos que lhe fazem guerra; com outra voz agora, com outra lã voltarei poeta, e sobre a pia do meu batismo tomarei o chapéu
Cantos XXV a XXVIII: As três virtudes e o Primeiro Móvel, Dante, narrador, no começo do canto XXV
em veste de pastor, lobos rapaces se veem daqui de cima por todos os pastos: ó defesa de Deus, por que ainda jazes? Do nosso sangue, cauorsinos e gascões se preparam a beber: ó bom princípio, a que vil fim convém que tu caias!
Cantos XXV a XXVIII: As três virtudes e o Primeiro Móvel, São Pedro, no canto XXVII, contra os papas
se os teus dedos não bastam para tal nó, não é de admirar: de tanto não o tentarem, ele ficou duro!
Cantos XXV a XXVIII: As três virtudes e o Primeiro Móvel, Beatriz, a Dante, no canto XXVIII
Florença não tem tantos Lapi e Bindi quantas fábulas assim se gritam por ano no púlpito, daqui e dali: de modo que as ovelhinhas, que não sabem, voltam do pasto fartas de vento, e não as desculpa não ver o dano
Cantos XXIX a XXXIII: O Empíreo, Beatriz, a Dante, sobre os pregadores
assim orei; e ela, tão longe quanto parecia, sorriu e me olhou; depois voltou-se à eterna fonte
Cantos XXIX a XXXIII: O Empíreo, Dante, narrador, na última aparição de Beatriz
a chaga que Maria fechou e ungiu, aquela que é tão bela a seus pés é quem a abriu e a picou
Cantos XXIX a XXXIII: O Empíreo, São Bernardo, a Dante, mostrando Eva na rosa
senhora, és tão grande e tanto vales que quem quer graça e a ti não recorre quer que o seu desejo voe sem asas
Cantos XXIX a XXXIII: O Empíreo, São Bernardo, na oração à Virgem
Assinatura
A explicação de cada passagem, em todos os recursos e em todas as obras, está na assinatura.