Pôr lado a lado ideias ou palavras opostas, para que uma ilumine a outra pelo contraste.
Em Um, Nenhum e Cem Mil
Fixou-se em mim, em vez disso, o pensamento de que eu não era para os outros o que até então, dentro de mim, eu me figurara ser.
A frase põe em lados opostos o que ele era "para os outros" e o que, "dentro de mim", se "figurara ser". O contraste entre a imagem de fora e a de dentro organiza a dúvida e mostra de onde ela vem.
Garanto aos senhores, ao contrário, que ele, no mesmo momento em que de fora me dizia com educação bom dia ou boa noite pela escada, por dentro me fazia viver como um perfeito imbecil.
Livro II: O leitor e a casa, Vitangelo Moscarda, sobre o velho inquilino que mora na casa dele
Ah, aí está: um usurário, para os outros; um tolo aqui, para Dida, minha mulher. Gengè eu era; um aqui, no ânimo e diante dos olhos de minha mulher.
É aqui que está tudo, pensava eu, nesta subjugação. Cada um quer impor aos outros aquele mundo que tem dentro, como se fosse fora, e que todos devam vê-lo à sua maneira, e que os outros não possam estar nele senão como ele os vê.
Livro IV: O primeiro experimento, Vitangelo Moscarda, pensando na briga de Firbo com Turolla
Pois bem, mas isto, justamente isto, era o “ponto vital” ferido em mim, que me cegava e me tirava naquele momento a compreensão de tudo: que usurário não, aquele usurário que eu nunca fora para mim, agora eu não queria mais ser nem para os outros e não seria mais, ainda que ao custo da ruína de todas as condições da minha vida.
Livro V: O ponto vital, Vitangelo Moscarda, sobre o motivo que não consegue dizer a Quantorzo
A quem dizer “eu”? De que valia dizer “eu”, se para os outros tinha um sentido e um valor que nunca podiam ser os meus; e para mim, tão fora dos outros, assumir um (sentido) logo se tornava o horror deste vazio e desta solidão?
Livro VI: Dizer eu a quem, Vitangelo Moscarda, sozinho na sala esvaziada depois da partida de Dida
Assinatura
A explicação de cada passagem, em todos os recursos e em todas as obras, está na assinatura.