Pergunta feita sem esperar resposta, porque a resposta já está implícita, ou porque o que importa é a dúvida que ela expõe.
Em Um, Nenhum e Cem Mil
Mas que culpa temos, eu e o senhor, se as palavras, por si, são vazias? Vazias, meu caro. E o senhor as enche do seu sentido, ao dizê-las a mim; e eu, ao recebê-las, inevitavelmente as encho do meu. Pensamos nos entender, não nos entendemos de modo algum.
"Que culpa temos, eu e o senhor?" não espera resposta, porque a resposta já está implícita: nenhuma. A pergunta tira a acusação da conversa e prepara a explicação que vem logo em seguida.
A quem dizer “eu”? De que valia dizer “eu”, se para os outros tinha um sentido e um valor que nunca podiam ser os meus; e para mim, tão fora dos outros, assumir um (sentido) logo se tornava o horror deste vazio e desta solidão?
Livro VI: Dizer eu a quem, Vitangelo Moscarda, sozinho na sala esvaziada depois da partida de Dida
Assinatura
A explicação de cada passagem, em todos os recursos e em todas as obras, está na assinatura.