Exagero deliberado, que ninguém toma ao pé da letra, para dar ênfase a um sentimento ou a uma situação.
Em A Montanha Mágica
Depressa ou devagar, como queira [...] Ele não passa é de modo algum, sabe? Aqui não há tempo nem vida; não há é coisa alguma
Joachim leva o cansaço ao extremo: o tempo “não passa é de modo algum” e “não há é coisa alguma”. A negação total, dita em desabafo e não em teoria, mostra como o lugar lhe parece vazio de tempo e de vida.
Capítulo I: A chegada ao Berghof, Joachim Ziemssen
Nosso sentimento [...] é a força viril que desperta a vida [...] o sentimento, meu jovem, é divino. O homem é divino, desde que sente [...] Se o homem fracassa quanto ao sentimento, irrompe a ignomínia de Deus, dá-se a derrota da virilidade de Deus, uma catástrofe cósmica, um horror inimaginável
Peeperkorn eleva o sentimento a dever divino: o homem “é divino, desde que sente”, e falhar nisso seria “uma catástrofe cósmica, um horror inimaginável”. A escala desmedida, em que o fracasso de um sentimento abala Deus, dá à fala o ar de exaltação.
Capítulo VII: Peeperkorn, o grande tédio e o trovão, Pieter Peeperkorn