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Recurso literário

Paralelismo

Frases ou versos seguidos com a mesma construção, de modo que o leitor compara o que muda de um para outro.

Em A Montanha Mágica

que tal se ainda esta noite preparasse suas malas e aproveitasse o trem de amanhã para pôr-se a caminho e safar-se daqui? [...] Inclino-me diante da razão [...] Inclino-me também diante da coragem.

As duas frases de Settembrini repetem a mesma forma: “Inclino-me diante da razão” e “Inclino-me também diante da coragem”. A construção igual faz o leitor comparar os dois termos e ver que ele honra a decisão clara, e não a saúde nem a doença.

Capítulo III: O primeiro dia inteiro e a chegada de Settembrini, Lodovico Settembrini

O tempo não tem natureza própria, em absoluto. Quando nos parece longo, é longo, e quando nos parece curto, é curto, mas ninguém sabe em realidade a sua verdadeira extensão.

Hans monta duas orações simétricas: o tempo é longo “quando nos parece longo” e curto “quando nos parece curto”. A simetria dá ao argumento um ar de lógica e sustenta a tese de que a medida do tempo depende de quem o sente.

Capítulo III: O primeiro dia inteiro e a chegada de Settembrini, Hans Castorp

A doença absolutamente não é nobre, nem digna de reverência, de modo algum. [...] Uma alma sem corpo é tão desumana e horripilante quanto um corpo sem alma.

A última frase espelha duas metades: “uma alma sem corpo” e “um corpo sem alma”, ambas “desumana e horripilante”. A construção invertida mostra que, para Settembrini, nenhum dos dois polos vale sozinho.

Capítulo IV: O sentido do tempo, Hippe e o termômetro, Lodovico Settembrini