Dar a uma coisa, a um animal ou a uma ideia abstrata ações, sentimentos ou fala próprios de uma pessoa.
Em A Montanha Mágica
Dois dias de viagem apartam um homem [...] do seu mundo cotidiano, de tudo quanto ele costuma chamar seus deveres, interesses, cuidados e projetos; apartam-no muito mais do que esse jovem podia imaginar enquanto um fiacre o levava à estação. O espaço que, girando e fugindo, roja-se de permeio entre ele e seu lugar de origem revela forças que se costuma julgar privilégio do tempo
O espaço age como alguém em movimento: “girando e fugindo, roja-se de permeio” entre o rapaz e sua origem, e então “revela forças”. Ao agir como um personagem, a distância ganha o poder de transformar quem viaja.
Capítulo I: A chegada ao Berghof, o narrador
o amor oprimido não estava morto, não; vivia, continuava, nas trevas, no mais profundo segredo, a almejar a sua realização, rompia o círculo mágico da castidade e ressurgia, ainda que sob forma metamorfoseada, dificílima de reconhecer [...] Sob a forma de doença. O sintoma da doença nada é senão a manifestação disfarçada da potência do amor; e toda doença é apenas amor transformado
O amor reprimido “não estava morto”: “vivia, continuava, nas trevas” e quer “a sua realização”. Krokowski dá ao desejo vontade e vida própria, como alguém escondido que rompe o “círculo mágico da castidade” e volta disfarçado.
Capítulo IV: O sentido do tempo, Hippe e o termômetro, Dr. Krokowski
Não quero conceder à morte poder algum sobre meus pensamentos! Pois é nisso que consistem a bondade e a filantropia, e em nada mais. [...] O amor enfrenta a morte; só ele, e não a razão, é mais forte que ela
Hans faz do amor alguém que luta: “O amor enfrenta a morte”. Dar ao sentimento a ação de um combatente, que vence a morte e a razão, é a imagem que resume a sua recusa a ceder poder aos adversários.
Capítulo VI: Naphta, a Neve e a morte de Joachim, Hans Castorp (em pensamento, ao fim do sonho)