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Recurso literário

Pergunta retórica

Pergunta feita sem esperar resposta, porque a resposta já está implícita, ou porque o que importa é a dúvida que ela expõe.

Em A Montanha Mágica

Pode-se narrar o tempo, ele próprio, o tempo como tal, em si mesmo? Não, de fato não, algo assim seria um arrojo insano!

O capítulo abre com uma pergunta que já traz a resposta: “Pode-se narrar o tempo, ele próprio”? A resposta vem na mesma linha, “Não, de fato não”. A dúvida serve de gancho para o narrador, que em seguida faz o que acabou de negar.

Capítulo VII: Peeperkorn, o grande tédio e o trovão, o narrador

Qual era o mundo que se abria atrás dela e que, segundo os pressentimentos íntimos de Hans Castorp, devia ser o mundo do amor proibido? Era a morte.

O narrador pergunta “Qual era o mundo que se abria atrás dela” e responde logo em duas palavras: “Era a morte.” A pergunta não espera resposta do leitor, serve para adiar e fazer pesar a revelação sobre a canção.

Capítulo VII: Peeperkorn, o grande tédio e o trovão, o narrador

Será que também desta festa mundial da morte, e também da perniciosa febre que inflama o céu da noite chuvosa, ainda surgirá o amor?

A última frase é uma pergunta, “ainda surgirá o amor?”, que o romance deixa sem resposta. O que pesa é a dúvida que ela expõe, não uma informação, e é ao leitor que o narrador entrega o que fazer dela.

Capítulo VII: Peeperkorn, o grande tédio e o trovão, o narrador