Palavra, frase ou imagem que volta várias vezes ao longo da obra, ligada a um personagem ou a uma ideia, e ganha sentido a cada retorno.
Em A Montanha Mágica
esse efeito será capaz de ir além do domínio da alma e da moral, e de afetar a própria parte física e orgânica do indivíduo [...] Para alguém se dispor a empreender uma obra que ultrapasse a medida da necessidade pura e simples, sem que seu tempo saiba uma resposta satisfatória à pergunta "Para quê?", é indispensável um isolamento e prontidão moral, algo raro e de natureza heroica, ou então uma vitalidade muito robusta
A pergunta “Para quê?” aparece aqui como a questão da época inteira, e o romance a faz atravessar os capítulos seguintes sem lhe dar resposta definitiva. Cada retorno liga o vazio de sentido ao corpo e às escolhas de Hans Castorp.
Capítulo II: A pia batismal e as duas figuras do avô, o narrador
Depois, Hans Castorp sonhou que se encontrava no pátio do ginásio [...] e que estava a ponto de pedir emprestado um lápis à madame Chauchat, que igualmente estava presente.
O “lápis” que Hans pensa em pedir a madame Chauchat é um objeto banal, mas volta no capítulo seguinte, na lembrança de Hippe, e de novo na Noite de Walpurgis. Cada retorno liga a paixão presente a uma infância.
Capítulo III: O primeiro dia inteiro e a chegada de Settembrini, o narrador
Não quero conceder à morte poder algum sobre meus pensamentos! Pois é nisso que consistem a bondade e a filantropia, e em nada mais. [...] O amor enfrenta a morte; só ele, e não a razão, é mais forte que ela
A ideia de que o amor é mais forte que a morte volta na última página do romance, em forma de pergunta sobre se do horror da guerra ainda surgirá o amor. Aqui a frase aparece afirmativa, e lá aparece como dúvida.
Capítulo VI: Naphta, a Neve e a morte de Joachim, Hans Castorp (em pensamento, ao fim do sonho)
Qual era o mundo que se abria atrás dela e que, segundo os pressentimentos íntimos de Hans Castorp, devia ser o mundo do amor proibido? Era a morte.
Amor e morte aparecem de novo lado a lado, como na fala de Hans na neve e na pergunta final do livro. O “amor proibido” tem a morte por trás, e esse par de ideias reaparece em várias etapas do romance.
Capítulo VII: Peeperkorn, o grande tédio e o trovão, o narrador
Será que também desta festa mundial da morte, e também da perniciosa febre que inflama o céu da noite chuvosa, ainda surgirá o amor?
A “febre” e o par amor e morte retornam aqui, depois de aparecerem no termômetro, na neve e na canção de Schubert. O romance fecha voltando às imagens que organizaram a leitura inteira.
Capítulo VII: Peeperkorn, o grande tédio e o trovão, o narrador