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Recurso literário

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Sinal, dito ou imagem que antecipa, às vezes só para quem relê, algo que vai acontecer mais adiante na obra.

Em A Montanha Mágica

Três semanas representam quase nada para nós aqui em cima, mas para você que vem de visita e tenciona demorar-se só três semanas é uma porção de tempo. [...] “Regressar daqui a três semanas” é uma ideia lá de baixo.

Joachim diz que “Regressar daqui a três semanas” é “uma ideia lá de baixo”, e a frase já anuncia o que virá: o prazo curto de Hans não vale na montanha, e ele ficará muito além das três semanas. Só quem relê percebe o aviso.

Capítulo I: A chegada ao Berghof, Joachim Ziemssen

Depois, Hans Castorp sonhou que se encontrava no pátio do ginásio [...] e que estava a ponto de pedir emprestado um lápis à madame Chauchat, que igualmente estava presente.

Hans sonha que está “a ponto de pedir emprestado” um lápis a madame Chauchat, e é exatamente esse gesto que ele repetirá na Noite de Walpurgis. O sonho antecipa o pedido antes que ele admita a atração.

Capítulo III: O primeiro dia inteiro e a chegada de Settembrini, o narrador

Nosso sentimento [...] é a força viril que desperta a vida [...] o sentimento, meu jovem, é divino. O homem é divino, desde que sente [...] Se o homem fracassa quanto ao sentimento, irrompe a ignomínia de Deus, dá-se a derrota da virilidade de Deus, uma catástrofe cósmica, um horror inimaginável

A “derrota da virilidade de Deus” que Peeperkorn descreve como catástrofe antecipa o que acontece com ele: sem suportar falhar no sentimento, ele se mata na madrugada seguinte à excursão à cascata. A teoria vira biografia.

Capítulo VII: Peeperkorn, o grande tédio e o trovão, Pieter Peeperkorn