Clavis Libri

Personagem

Libório

Quem é

Velho morador do pior canto da estalagem, que vive de filar sobejos, jura miséria e, segundo os vizinhos, guarda dinheiro escondido. Morre no incêndio, abraçado a oito garrafas cheias de notas, que João Romão lhe tira das mãos.

Trajetória

No domingo da volta de Rita Baiana, ela brinca com ele (capítulo VI); o narrador o apresenta depois como o morador que ninguém sabe onde almoça ou janta (capítulo VII).

Ocupava o pior canto do cortiço e andava sempre a fariscar os sobejos alheios, filando aqui, filando ali, pedindo a um e a outro, como um mendigo, chorando misérias eternamente
Capítulos VI a VII: O domingo de Rita Baiana e o pagode
Na estalagem diziam todavia que Libório tinha dinheiro aferrolhado, contra o que ele protestava ressentido, jurando a sua extrema penúria.
Capítulos VI a VII: O domingo de Rita Baiana e o pagode

À noite aparece para comer no pagode e quase se engasga com um pedaço de carne grande demais (capítulo VII). Recebe um encontrão de João Romão, que desconta nele o mau humor depois da notícia do título de Miranda (capítulo X). Quando Pombinha sai para a igreja, queixa-se de ter perdido a namorada (capítulo XII).

Na noite do incêndio, Romão o vê fugir ao esconderijo e o segue. Libório tira do colchão oito garrafas, embrulha-as numa coberta, cai vomitando sangue e tenta morder a mão do vendeiro que quer ajudá-lo a carregar (capítulo XVIII).

Libório, por única resposta, arregaçou os beiços, mostrando as gengivas sem dentes e tentando morder a mão que o vendeiro estendia já sobre as garrafas.
Capítulos XVIII a XX: Libório, as obras e a queda de Piedade

Seu cadáver é exposto no pátio entre duas velas, ao lado do da Bruxa, com um prato aos pés para a esmola da mortalha (capítulo XVIII). Romão confere as garrafas: quinze contos e tantos, dos quais oito contos e seiscentos em cédulas já prescritas, e diz que teria sido um ato de justiça tê-lo tomado antes (capítulo XVIII).

Seria um ato de justiça!
Capítulos XVIII a XX: Libório, as obras e a queda de Piedade

Temas que encarna

Os temas-padrão que passam por ele são Classe social e Corrupção e decadência. O símbolo que o acompanha em cena é a estalagem São Romão, de que foi um dos primeiros moradores e onde sua miséria declarada convive com o dinheiro escondido (capítulo VII, capítulo XVIII).

O texto mostra Libório por duas faces que o incêndio faz coincidir: o mendigo que pede a cada porta e o dono de oito garrafas de notas (capítulo VII, capítulo XVIII). A suspeita dos vizinhos se confirma, e mais da metade do que ele guardou já não vale.

A cena das garrafas tem duas leituras do vendeiro: ajudar o velho a fugir do fogo, como ele diz, ou usar o socorro como pretexto para pôr a mão no dinheiro que farejava havia tempo (capítulo XVIII). O velho que defende o embrulho com o corpo é a figura contra a qual se vê o vendeiro: os dois acumulam, mas só um deles resolve o que fazer com o resto, e Romão o aplica nas obras do cortiço (capítulo XVIII).

Relações

  • João Romão: o dono que o segue no incêndio e fica com as garrafas.
  • Rita Baiana: a vizinha com quem o velho faz graça no domingo.
  • Pombinha: a moça cujo casamento o faz queixar-se de ter perdido a namorada.