Quem é
Lavadeira da estalagem, baiana, que vive com um homem de cada vez e recusa o casamento, gasta tudo o que ganha e dá os melhores pagodes do cortiço. É amante de Firmo quando o livro a apresenta, e passa a viver com Jerônimo depois que ele, atraído pela dança e pelo cheiro dela, abandona Piedade. O narrador a mostra primeiro pela boca das vizinhas e pelo olhar de Jerônimo, e só em alguns momentos lhe dá pensamento próprio.
Trajetória
As lavadeiras falam dela na ausência, sumida há oito dias em pândega com Firmo, e a descrevem pelo dinheiro que não guarda (capítulo III).
Bom coração tem ela, até demais, que não guarda um vintém pro dia de amanhã. Parece que o dinheiro lhe faz comichão no corpo
Volta depois de três meses em Jacarepaguá, e a estalagem inteira a cerca; brinca com o velho Libório, anuncia um pagode e diz a Leocádia que não quer casar, porque casamento é cativeiro (capítulo VI).
Não há como viver cada um senhor e dono do que é seu!
No domingo, quando Alexandre avisa que Miranda os espia da janela, responde que ninguém tem de incomodá-los por estarem em casa com os amigos (capítulo VII).
Pois então a gente não é senhora de estar um domingo em casa a seu gosto e com os amigos que entender
À noite dança o chorado no meio da roda, e é nela que Jerônimo concentra as impressões da terra (capítulo VII).
ninguém como a Rita; só ela, só aquele demônio, tinha o mágico segredo daqueles movimentos de cobra amaldiçoada; aqueles requebros que não podiam ser sem o cheiro que a mulata soltava de si e sem aquela voz doce, quebrada, harmoniosa, arrogante, meiga e suplicante.
Cuida de Jerônimo doente, com café forte e parati, e escapa dele com um pulo, ameaçando contar à mulher; quando Piedade entra, disfarça (capítulo VIII). Depois da briga de Bruno e Leocádia, é ela quem acolhe a lavadeira (capítulo VIII). Belisca Jerônimo e o provoca, e admira o luxo de Léonie ao descrevê-la às companheiras (capítulo IX). Dança e canta no samba em que ele lhe sussurra uma proposta, e, quando Firmo o fere, ajuda Piedade a socorrê-lo (capítulo X). Vela o ferido e se apega a ele, já sem escrúpulo diante da esposa (capítulo XI).
Seu coração de mulher rendia-se cativo a semelhante dedicação ensanguentada e dolorosa.
Fica aborrecida enquanto Jerônimo está na Ordem (capítulo XII), esfria o namoro com Firmo quando ele se muda para o Cabeça-de-Gato, onde ela não pisa (capítulo XIII), e na volta do cavouqueiro diz a ele que despachou Firmo e não quer homem nenhum, mas adia o encontro que ele pede (capítulo XIV).
Na noite em que Firmo é morto, espera aflita, com medo de que ele, sem encontrá-la, vá provocar o português (capítulo XV).
A mulata bem que o compreendeu, mas não teve ânimo de confessar-lhe que também morria de amores por ele; receou prejudicá-lo.
De manhã, quando Jerônimo mostra a navalha e diz que matou o rival, ela aceita partir com ele (capítulo XV). Sai atrás de notícias, volta contente com a mudança combinada, e na luta de tamancos e unhas com Piedade vence (capítulo XVI). Some na confusão do incêndio (capítulo XVIII). Vive com Jerônimo numa estalagem da Cidade Nova, e na segunda visita de Piedade, quando Jerônimo bêbado briga com a mulher, Rita fica de fora (capítulo XIX).
O homem, se quisesse voltar para junto da mulher, que voltasse! Ela não o prenderia, porque amor não era obrigado!
Desde a partida dela, o São Romão não faz mais sambas ao relento (capítulo XX). O que sobra de Rita é a imitadora, Florinda, que puxa os feitios dela (capítulo XXII).
a rapariga puxava os feitios da Rita Baiana, as suas noitadas acabavam sempre em pagode de dança e cantarola, mas tudo de portas adentro, que ali já se não admitiam sambas e chinfrinadas ao relento
Temas que encarna
Os temas-padrão que passam por ela são Sexualidade e Natureza e civilização. O símbolo que a acompanha em cena é o fado e o chorado: o chorado é dela, e é a música que cala o fado de Jerônimo no pagode (capítulo VII).
Rita se define pelo que recusa: casar, dever obediência, guardar dinheiro, prender alguém (capítulo VI, capítulo VII, capítulo XIX). Os vizinhos a festejam, ainda que as lavadeiras a censurem na ausência dela. O que a narração dá a ela por dentro é pouco e vem tarde: o pensamento de que a briga foi por causa dela (capítulo XI) e o medo de Firmo na noite da emboscada (capítulo XV).
Na boca dos outros, Rita é a causa: Piedade culpa a terra e depois ela (capítulo XVI), e Jerônimo a toma como síntese de tudo o que sente (capítulo VII). As cenas mostram decisões de homens, a proposta sussurrada, o desafio de Firmo, a emboscada, e uma mulher que ouve a morte do antigo amante como dedicação de Jerônimo por ela (capítulo XV). A pergunta que o texto deixa é se ela é livre como diz, e o que a escolha de não casar lhe dá e lhe custa.