Quem é
Cocote à francesa, comadre de Augusta Carne-Mole e madrinha de Juju, que vive com ela. Visita a estalagem de roupa espalhafatosa e luxo à mostra, é admirada pelos moradores, paga o enterro da filha de Augusta e, na casa dela, conduz Pombinha à alcova numa tarde que a moça nunca mais esquece.
Trajetória
O livro a nomeia pela afilhada, na manhã das lavadeiras: Juju vive com a madrinha, a cocote Léonie (capítulo III). Visita Augusta à noite, com Juju de cabelos louros, e a estalagem inteira vem admirá-las; convida Pombinha para jantar em sua casa (capítulo IX).
Aquela afilhada era o seu luxo, a sua originalidade, a coisa boa da sua vida de cansaços depravados; era o que aos seus próprios olhos a resgatava das abjeções do ofício
No domingo da festa do título de Miranda, recebe Pombinha e a mãe, Dona Isabel; manda a velha dormir num quarto e o tranca por fora, conduz a menina à alcova e lhe impõe, apesar dos protestos e das lágrimas, um contato que a deixa envergonhada. Pombinha só sai depois de dar o beijo da reconciliação e aceita o anel de brilhante por insistência da mãe (capítulo XI).
Léonie franqueou-lhe um bom quarto, com boa cama, e, mal percebeu que a velha dormia, fechou a porta pelo lado de fora, para melhor ficar em liberdade com a pequena.
As fotografias de homens respeitáveis que mostrou à moça no dia da visita voltam à memória dela quando Bruno chora, e é isso que a faz ver o noivo de outro modo (capítulo XII).
Depois do incêndio, paga o enterro da filha de Augusta e chega a ele de cetineta cor de creme, num carrinho com cocheiro de libré (capítulo XVIII).
O enterro da pequenita foi feito à custa de Léonie, que apareceu às três da tarde, vestida de cetineta cor de creme, num carrinho dirigido por um cocheiro de calção de flanela branca e libré agaloada de ouro.
Continua a visitar a estalagem depois da reforma, e numa tarde de sábado traz consigo Pombinha, que já vive com ela (capítulo XXII). O narrador diz que a moça foi atraída pelo seu próprio pé.
A serpente vencia afinal: Pombinha foi, pelo seu próprio pé, atraída, meter-se-lhe na boca.
Temas que encarna
Os temas-padrão que passam por ela são Sexualidade, Classe social e Corrupção e decadência. O símbolo que a acompanha em cena é a estalagem São Romão, onde ela é a visita admirada e de onde sai com uma moça (capítulo IX, capítulo XXII).
O texto dá a Léonie dois movimentos que não se anulam: a estima de gente honesta é o que a faz sentir-se resgatada do ofício (capítulo IX), e é ela que prepara a tarde da alcova com Pombinha (capítulo XI). O narrador não os separa, e a mesma mulher paga o enterro e tranca a porta.
Léonie vive do olhar de quem a vê de baixo: bebe água na caneca de folha, descalça os sapatos e troca o luxo pelo chinelo velho. A generosidade, os presentes e a cerveja pagos são o que lhe dá lugar na casa de Augusta, e é com esse crédito que ela conduz a menina. O livro não a julga, e Pombinha, no fim, repete com a filha de Piedade o gesto de simpatia que a cocote teve por ela.
Relações
- Pombinha: a moça que ela prepara na alcova e que acolhe depois do casamento desfeito.
- Rita Baiana: a lavadeira que descreve o luxo de Léonie às companheiras.