Clavis Libri

Personagem

Zulmira

Quem é

Filha de Miranda e de Dona Estela, que o pai suspeita não ser dele, menina pálida e magra de olhos vivos que cresce de doze para dezessete anos à janela do sobrado e acaba noiva de João Romão. Quase não fala em cena: o que o livro faz é medi-la pelo que cada um quer dela, o desprezo do pai, a afeição menor da mãe, o namoro de rua, o galanteio interessado do vendeiro.

Trajetória

Nasce quando os pais já se odeiam: a mãe a ama menos do que o instinto pede por supô-la filha do marido, e o pai a detesta porque está convicto de que não é seu pai (capítulo I).

a pobre criança nada mais representava que o documento vivo do ludíbrio materno, e o Miranda estendia até à inocentezinha o ódio que sustentava contra a esposa
Capítulos I a II: O cortiço de João Romão e a casa de Miranda

Aos doze para treze anos já é pálida, magrinha, de olhos grandes e maliciosos (capítulo II). De manhã, à janela do sobrado, lima as unhas com a mãe, alheia ao barulho do cortiço (capítulo III). No domingo do pagode, o grito do pai a mostra lívida, com ar de fastio (capítulo VII).

E via-se de relance Dona Estela, com a sua palidez de flor meia fanada, e Zulmira, lívida, um ar de fastio a fazê-la feia, e o Henriquinho, cada vez mais bonito, e o velho Botelho, indiferente, a olhar para toda esta porcaria do mundo com o profundo desprezo dos que já não esperam nada dos outros, nem de si próprios.
Capítulos VI a VII: O domingo de Rita Baiana e o pagode

Na noite do pagode, Alexandre conta que o namoro dela com um rapaz de lunetas, que lhe ronda a casa à noite, não passa de conversa da janela para a rua (capítulo VII).

Ele fala muito em casamento e a pequena o quer; mas, pelo jeito, o velho é que lhe corta as asas.
Capítulos VI a VII: O domingo de Rita Baiana e o pagode

No jantar do Barão, João Romão escorrega e quase cai com uma cadeira de rodízios, e ela ri e disfarça com a mãe (capítulo XIII).

Zulmira riu-se, mas disfarçou logo a sua hilaridade pondo-se a conversar com a mãe em voz baixa.
Capítulos XII a XIV: Casamento, cortiço rival e plano de vingança

Durante o incêndio, o que se ouve da casa são os guinchos dela, num ataque (capítulo XVII).

Da casa do Barão saíam clamores apopléticos; ouviam-se os guinchos de Zulmira que se espolinhava com um ataque.
Capítulos XV a XVII: Morte de Firmo, briga de Piedade e incêndio

Com as obras do cortiço, vira o alvo das atenções de João Romão, que lhe dá o braço, a leva ao teatro e gasta em obséquios com ela e a família (capítulo XIX). Miranda confirma que ela o aceita para marido (capítulo XXI). Na confeitaria, reclama o sorvete e o licor e, no começo, é a única a falar à mesa (capítulo XXIII).

Mas Zulmira reclamou sorvete e licor. E só esta falava; os outros estavam ainda à procura de um assunto para a conversa
Capítulos XXI a XXIII: O fim de Bertoleza e a ascensão de Romão

Temas que encarna

Os temas-padrão que passam por ela são Casamento, Família e Classe social. O símbolo ligado a ela é o sobrado de Miranda, de onde a vê o cortiço.

Zulmira é o objeto do desejo social de João Romão, e o casamento chega a ele pela boca do pai, que diz que ela o aceita; o que se vê dela, rir, pedir sorvete, ter ataques, é pouco e indireto.

O livro dá a Zulmira duas pistas de vontade própria, o namoro de janela e o sorvete pedido contra o pedido do pretendente, e não diz o que acontece com a primeira. Pode-se ler isso como a deixa de que ela aceita o que lhe chega, ou como uma vontade que só aparece nas pequenas escolhas.

Relações

  • Miranda: o pai que duvida de ser pai e que aceita o casamento dela com o vizinho.
  • Dona Estela: a mãe que a ama menos do que pede o instinto e com quem ela conversa em voz baixa.
  • João Romão: o pretendente que a galanteia e que ela aceita.